quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sobre respeito, tolerância e ateus



No texto de hoje resolvi falar sobre algo que aconteceu comigo recentemente, onde de certa forma sofri desrespeito, intolerância e preconceito. Esse tema tem persistido a algum tempo em minha cabeça, pois me incomodou profundamente e acredito que tem incomodado mais gente.

Respeito todas as práticas religiosas, denominações e filosofias de vida existentes no planeta Terra. Antes de ser cristão, procurava algo para me apegar e acreditar. Andei estudando profundamente a filosofia budista, rastafári, espiritismo e catolicismo. Porém algo sobrenatural aconteceu comigo quando tinha 19 anos, onde conheci verdadeiramente Deus. Foi a experiência mais emocionante da minha vida, pois senti a presença dele ao meu lado e entendi o seu propósito para a minha vida. Com isso, passei a seguir seus passos e acreditar verdadeiramente em seus ensinamentos que são passados pela bíblia. Outras denominações e filosofias podem professar suas verdades, mas para o meu entendimento a única verdade existente é Jesus Cristo. Isso se chama fé e ponto final!


Alguns dias atrás fui bombardeado por uma pessoa que se autodenomina ateu. Disse que estava de saco cheio dos cristãos que professam a sua fé no Fecebook, com orações, suplicas e evangelismo. Com todo respeito do mundo tentei explicar as raízes do evangelismo cristão, sua cultura, fé e crenças. Porém, percebi que a pessoa já tinha um pré-discurso existente e a todo momento criticava minha fé, julgava-se a detentora da verdade, tentou me convencer que eu estava errado, me "evangelizou" para o ateísmo, fui denominado como "bitolado" e ficava indignada com as atitudes dos cristãos. No final ainda me disse que era muito importante se questionar, dando entender que cristãos são um bando de pessoas com os olhos, ouvidos e bocas fechadas sendo impedidos de pensar e questionar.

A partir disso, cheguei a conclusão que os indivíduos em geral não gostam de ser submetidos a alguma autoridade. Ninguém nesse mundo gosta de ser interrogado, ser mandado por outra pessoa ou ser obrigado fazer aquilo que não gostaria. Com isso, o mesmo se aplica para pessoas que não acreditam em nenhuma autoridade divida. Na verdade, esses indivíduos não gostam de ser submetidos a uma padronização e se autodenominam donos da sua própria vida. No meu ponto de vista, entendo que essas atitudes são manifestadas pela própria natureza humana, ou seja, ela é interiorizada antes mesmo da pessoa nascer. De fato se tornar ateu não foi uma decisão da própria pessoa, mas essa ideia já estava inscrito em sua natureza.



Dessa forma, se analisarmos esse discurso vamos concluir que as pessoas que acreditam em autoridades divinas são as que mais utilizam a razão (pensar). Decidimos acreditar em um único Deus, no caso cristão, e utilizamos a nossa razão para nos manifestarmos e constantemente renovarmos a nossa fé e professa-la. Isso é ser bitolado? Isso é não questionar? No meu caso, questionei tanto que no final entendi a lógica das coisas e passei a acreditar (pensar) verdadeiramente como tudo se encaixa, como tudo funciona, como tudo tem um sentido. A fé é racional e ponto final!

Assim, é preciso ter mais tolerância e respeito. De fato acredito apenas em uma verdade absoluta, mas não é por isso que vou desrespeitar e ser intolerante com o próximo. Enquanto houver isso, nunca haverá a paz no mundo e sempre existirá guerra e sofrimento. O diálogo é sempre bom para professarmos o que acreditamos, expor as nossas idéias e ser entendido, mas isso não lhe dá o direito de ser julgador das verdades. Como cristão, vou continuar tentando evangelizar e professar a minha fé, mas respeitando o próximo e estimulando para que o mesmo continue pensando e raciocinando.




sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ócio e Insônia - Momentos para pensar




Já fazem alguns dias que não consigo dormir direito. São horas de tentativa para entrar no sono, mas todas elas foram frustadas. Porém, por um lapso pensei como a insônia tem o poder de produzir momentos de ócio. Nesses dias corridos que temos vivido, nada melhor (ou pior) que parar para refletir na vida. Será que a insônia é um mecanismo biológico do cérebro para remoer ou chegarmos a solução de problemas?

Nesses dias da maldita insônia, realmente faço um grande esforço para dormir. A maratona começa logo após desligar a televisão e tentar achar uma posição confortável para o objetivo sagrado, chegando até mesmo realizar meditações acreditando que a concentração me traria algo positivo (pobre ilusão). São horas pensando em casa, móveis, livros, músicas, barulhinhos do outro lado da janela, no pijama que embola, nas sombras projetadas no teto, em família, profissão, futuro, em contas, cálculos, carro, filhos, barulhos de gente conversando na rua e tentando desvendar de onde elas estavam e por aí vai. Engraçado é pensar que ser ocioso é algo pejorativo, sendo tratado através dos tempos como vagabundagem. Porém o ócio tratado no texto não é ter o que fazer, mas não ter condições de realizar!



Porém a algumas semanas atrás, li em uma revista de filosofia que o ócio realmente é um exercício que traz benefícios para a vida do ser humano. Sabendo ministra-lo bem, o ócio é capaz de estimular ao pensando e quem sabe solucionar problemas, ou até mesmo exercitando algo que aprendeu recentemente para fixar melhor as idéias. Como falei anteriormente, nos dias de hoje é difícil parar para simplesmente pensar na própria vida. A televisão, alguns tipos de livros, revistas, rádios, jornais e algumas páginas da internet já trazem todas as informações mastigadas e prontas para serem engolidas pelo cérebro. O sistema cada vez mais exige que os indivíduos sejam completos, sendo doutores em alguma coisa, dominar no minimo outra língua, ter feito intercâmbio, saber falar em público, conseguir trabalhar em grupo e ainda saber de tudo que se passa no mundo com um toque de senso crítico. Nesse mundo caótico onde o dia tem que durar mais de 24 hrs, parar para ter momento de ócio e pensar em algo que realmente interessa ao individuo é perda de tempo. Apesar da insônia ser tão dolorosa, acredito que se não houver nenhuma substancia fazendo efeito (Ex.: café) ela é o reflexo do que temos presenciado em nossas vidas. Nos primeiros minutos pensamos em coisas aleatórias, mas após esse tempo passamos a remoer certas memórias com mais intensidade se tornando a dominante no momento. Com isso, nos tornamos mestres em estatística com inúmeras respostas nas mais diversas soluções.



Assim, não tenho o objetivo de fazer apologia a insônia sendo a salvação dos nossos problemas, mas ela realiza um papel de extrema importância. Portanto, ainda não concluí se esse fenômeno é algo natural ou induzido, mas será o único momento que realmente pensamos?! Será que é o único momento que somos nós mesmos? Se realmente essa for a resposta, com certeza quero passar muitas noites em claro e não parar de pensar...


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sobre dicas e algumas coisas importantes

Após 3 meses de ausência me sinto na obrigação de escrever algo. Dessa forma, pensei em dar algumas dicas de livros, filmes e lugares que andei passando por esse tempo.

 Como a UFMG ainda está em greve, combinado com férias, um pouquinho de ociosidade e uma pitadinha de vagabundagem deu tempo de ler, assistir e presenciar momentos únicos. Com isso, seguem abaixo algumas dicas:

1° - O Mundo de Sofia - Jostein Gaarden





Esse livro realmente me despertou muito interesse. Sempre ouvi falar dele, mas escutei algumas lamentações a seu respeito principalmente falando sobre a dificuldade de se entender. Porém, como estou em um momento de efervescência filosófica em minha vida, resolvi encarar a sua leitura incentivado por amigo (Fabricio Veliq). Confesso que fiquei admirado como o autor conseguiu desenvolver uma história envolvente e ao mesmo tempo falar de algo tão interessante que é a história da Filosofia. Para quem quer aprofundar no assunto, o livro é altamente recomendável. Também é válido lembrar que vai ocorrer em algumas passagens o não entendimento de explicações ou teorias, mas faça um esforço e leia até o final!

2° - Odisséia - Homero



Quando procurei livros de filosofia para ler, também fui recomendado (Fabiano Veliq) ler a coleção do Giovanni Reale para entender melhor o desenvolvimento da filosofia antiga e seus desdobramentos. Porém, em todos os momentos era citado a obra de Homero como referência importantíssima para a época (Séc. VI a.C.). Também já havia escutado comentários sobre esse livro, mas nunca havia me despertado interesse no mesmo. Com isso, fui obrigado a investigar em sua obra o por que de tanta importância e felizmente descobri! A história contada em versos (Histórias antigas eram passadas de geração em geração por músicas, por isso os versos ou poema) é a saga do guerreiro Ulisses depois da guerra de Tróia na tentativa de voltar para a sua casa. O personagem Ulisses é exemplo de perseverança, paciência e humildade. Realmente quando se começa a ler é difícil parar, mas vale muito a pena conhecer uma história tão antiga que ainda influencia o mundo inteiro.

3° - Os Intocáveis (Intouchables)



Sabe aqueles filmes que você não descança os olhos? Pode saber que esse filme não é diferente! A história de um ajudante de paraplégico é contagiante do inicio ao fim. O filme é Francês e pelo visto, é uma história real. A chegada de um novo ajudante, dá um novo sentido na vida para o rico personagem paraplégico da história. A transformação que ocorre em ambos os personagens durante a trama é de se emocionar. Quem gosta de filmes alternativos, fica aqui a dica! 

4° - Tão Forte e Tão Perto




Para quem gosta dos filmes do Tom Hanks e Sandra Bullock esse sem dúvida é um dos melhores, apesar do ator participar pouco do filme. A história da morte de um pai e a obsessão do filho para por um momento se sentir mais uma vez mais perto do pai é comovente, engraçado e contagiante. Vale a pena conferir!

5° - Meia Noite em Paris (Midnight in Paris)



O filme escrito e dirigido por Woody Allen conta a história de um escritor (desiludido com a vida de cineasta) que é apaixonado por Paris, resolve visitar a cidade para se inspirar em escrever um livro e planejar a sua mudança para a cidade. Porém, algo misterioso acontece e o personagem volta ao passado em Paris nos anos 1920 com toda a sua efervescência cultural, onde nada mais oportuno para se inspirar em seu mais novo romance.

6° - O Caçador (The Hunter)



Essa semana eu assisti esse filme e me interessei bastante. O filme conta a história de um caçador a procura de um animal dito extinto a décadas. Porém o personagem descobre o motivo para a captura do animal e se envolve com a comunidade local. Esse filme trata de assuntos atuais, como a biopirataria, desenvolvimento e também sobre o capitalismo. Muito interessante!

7° - Guerra dos Tronos (Games of Thrones)



Confesso que nunca fui amante de seriados, mas esse seriado realmente me chamou muita atenção. Incentivado por um amante desse gênero (Alcides Junio), fui dar uma conferida na história e fiquei encantado. Esse seriado é fruto da obra de R. R. Martin, escritor americano que escreveu o primeiro livro da série no inicio dos anos 1990 e é consagrado em seu país por inúmeros roteiros de Hollywood e também por seus livros. Quem gosta de história medieval com uma pitada de magia é uma boa dica!

8° - Cidade de Macacos



Tá estressado da cidade grande? Quer apreciar a natureza? Quer curtir uma piscina e cachoeira? Quer derreter na saúna? Uma boa dica é visitar a Cidade de Macacos bem pertinho de Belo Horizonte e que  preserva uma rica e belíssima natureza. A cidade que mantem o charme do interior e é composta por inúmeras pousadas de todos os preços e gostos, é uma ótima idéia para casais que queiram curtir a natureza e passar mais tempo com o companheiro.


Assim, fica aqui a dica de algumas coisa interessantes. Espero que a greve da UFMG acabe logo para não perder as férias de verão! Portanto, espero voltar a escrever no blog em breve para colocar em debate  temas atuais que são úteis. Quem sabe a efervescência da filosofia me envolva em algo que realmente interessa? 


"... É necessário, pois, a propósito disso, fazer uma das coisas seguintes: não perder a ocasião de instruir-se, ou procurar aprender por si mesmo, ou então, se não for capaz nem de uma nem de outra dessas ações, ir buscar em nossas antigas tradições humanas o que houver de melhor e menos contestável, deixando-se assim levar como sobre uma jangada, na qual nos arriscamos a fazer a travessia da vida, uma vez que não a podemos percorrer, com mais segurança e com menos riscos, sobre um transporte mais sólido: quero dizer, uma revelação divina." Platão, Fédon, 85 c-d.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Saídas e Bandeiras



Ontem minha esposa me perguntou por que gosto tanto da música “Saídas e Bandeiras” do Milton Nascimento, pois eu canto, escrevo e falo muito sobre ela. Assim, disse para ela como essa música marcou minha vida. Me lembro quando estava no 3º período, um grupo realizou uma apresentação sobre Sistema Agrário Brasileiro e no final passaram um vídeo que no fundo se escutava essa música. Nesse contexto, um fato me chamou muito a atenção: Um dos nossos colegas de sala ficou extremamente exaltado e comentou bastante sobre a trilha sonora. Isso ficou na minha cabeça e determinei que precisava entender o porquê de tanta exaltação.

Quando cheguei em casa percebi que na verdade essa música fazia parte de um álbum importantíssimo da década de 1970, chamado Milton Nascimento, Lô Borges e Clube da Esquina, composto por 2 volumes. Esses discos contêm nada mais, nada menos que “San Vicente”, “Ao que vai nascer”, “Pelo Amor de Deus”, “Maria Maria”, “Me Deixa em Paz”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Saídas e Bandeiras nº1 e nº2”. No auge da ditadura militar estes jovens (Lô Borges tinha 18 anos) produziram o disco que ficaria entre os 10 mais importantes da MPB. A princípio é possível observar que as músicas foram muito bem compostas e que o conjunto de sua obra é de significativa qualidade, porém, em minha opinião a música “Saídas e Bandeiras nº1 e nº2” se destaca por sua relação com meu assunto de interesse.

Milton Nascimento, Lô Borges e Clube da Esquina

Sou graduando em Ciências Socioambientais e minha formação está permitindo ter senso crítico em relação as formas de desenvolvimento econômico, relação homem x natureza, meio ambiente e etc. A música “Saídas e Bandeiras nº1 e nº2” a meu ver discorre sobre a história da exploração mineraria, o sistema capitalista e a sociedade. De fato, o homem desde o descobrimento de metais e pedras preciosa tem ferido e castigado o meio ambiente de forma voraz e sem sentimentos. Com o advento do capitalismo, o homem se tornou de forma generalizada, um ser egoísta e mesquinho. O capitalismo possibilitou a disseminação da ideia de desenvolvimento como algo a ser almejado por todos, e que a procura de uma vida melhor era relacionada com o meio urbano e muito dinheiro no bolso. O estado de Minas Gerais é um bom exemplo disso, pois o crescimento da maioria das cidades foi realizado a partir da exploração do Ouro no Séc. XVII e hoje em dia pelo disputado minério de ferro. Infelizmente, após quatro séculos ainda mantemos o mesmo ritmo desenfreado de exploração. Será que estamos certos? E a consequência disso, como será? 

Ciclo do Ouro

Em minha graduação, felizmente eu consegui presenciar de perto a degradação ambiental de mineradoras e posso afirmar que é assustadora. Sei muito bem que o mundo necessita de metais, mas será que vale a pena trocar serviços ambientais por migalhas de dólares? Há uns 20 anos, as minas exploravam uma determinada área por até 30 anos e conseguiam movimentar o sistema econômico da região por longos anos. Porém, hoje em dia percebemos que a extração do minério foi encurtada para 12 anos (Como é o caso da Mina Apolo/Vale do Rio Doce da Serra da Gandarela/MG) e impactando fortemente o meio ambiente e também a sociedade. Se pararmos para pensar podemos observar que o Brasil não necessita de tanto minério. A partir disso, podemos concluir o “X” da questão e fazermos uma simples pergunta: Para quem vai esse minério? Para a nova potencia mundial: A China! Isso mesmo, trocamos os nossos serviços ambientais (Água, Ar, biodiversidade e clima) por 0,10 centavos de dólares. Você sabia que o valor por degradar ambientalmente uma região é de 0,10 centavos de dólares por tonelada de minério? Será que está certo trocar serviços que não se consegue valorar por metal? Se fosse para alimentar alguma indústria brasileira que reinvestiria no próprio país seria menos agravante, mas alimentamos um capital externo que dá a mínima para o nosso cotidiano.

Carajás

Assim a música “Saídas e Bandeiras” de forma sutil, aborda essa situação lastimável para o planeta. O homem saiu da sua terra em troca de sonhos, endureceu o coração, perdeu a natureza, conquistou dinheiro e continua se afundando no caos. Em minha opinião, enquanto existir capitalismo vamos persistir na devastação, encher o bolso (para poucos) e perder nossa morada. Será que esse papo de sustentabilidade funciona? Vamos continuar persistindo na mesmice? Se não mudarmos nossos hábitos de consumo, continuaremos acabando com a vitalidade do planeta e o período antropoceno apenas ficará em vestígios geológicos.


Segue a música para apreciação:


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sobre memória, livros e internet




Fui criado em uma família relativamente velha. Somos 3 irmãos, sendo eu o mais novo e a diferença de idade para o irmão do meio chega a ser 7 anos. Quando nasci, meus pais tinham 37 (Mãe) e 41 (Pai) e fui criado em um ambiente de muito cuidado, pois o relacionamento do casal não andava muito bem. Meu pai é Técnico em Contabilidade e minha mãe sempre foi secretária, ou seja, não era uma realidade muito fácil. Meus pais nunca demonstraram interesse pela leitura (infelizmente), mas graças a Deus sempre incentivaram os estudos e conseguiram me levar até a faculdade (Com muito esforço meu também). Me lembro que quando havia leituras obrigatórias no colégio, meus cabelos ficavam em pé e eu sabia que ia ser uma luta para ler.
Quando tinha uns 12 anos, um grande amigo me emprestou o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal. Me lembro até hoje como eu devorei aquele livro! Foram dias e noites em claro para acabar logo com aquela história tão incrível que eu havia descoberto. Desde então, fui me infiltrando no mundo literário e nunca mais saí de lá. Também lembro o dia que descobri as lojas de sebo do Maleta (Belo Horizonte/MG), e ficava horas e mais horas sentindo aquele cheirinho de livro velho na captura de um exemplar bom e barato. A convivência com esse ambiente foi extremamente importante para a minha formação, pois descobri a riqueza desse mundo e coloquei em mente que um dia iria trabalhar nesse ramo, mas não sabia quando iria acontecer. A influência de um primo bibliófilo também foi muito importante e nossas conversas eram sempre regadas a Tolkien, Cervantes, Conan Doyle e dentre outros e isso me animava dia após dia.

A partir de então, passei anos com essa ideia na cabeça e fui montando um pequeno acervo pessoal para a criação de uma biblioteca. Infelizmente livros são caros no Brasil e minha única escolha era recorrer aos sebos (Adorava), mas livros novos era um alcance bem restrito, pois eu não trabalhava e meu pai não possuía dinheiro. Comecei a gostar tanto de livro que o cheirinho de cada um me atrai substancialmente! (Até hoje me perguntam por que eu cheiro todos os livros que abro). A capa, o tipo do papel, a dedicatória do autor e a editora eram requisitos fundamentais para aquisição de mais um título. Após longos anos me deu a ideia de formar, a principio, um sebo virtual. Esse projeto tem ocupado a meses meu tempo e minha mente, mas no final sinto muito prazer em manuseá-los, imaginar quais foram seus donos e quem irá ler eles novamente.
Porém, sinto-me angustiado a alguns dias. Quando entrei nessa ramo, conversei com inúmeros sebistas e livreiros para saber como andava o mercado, e todos me disseram que estava indo bem, mas fazia alguns anos que as vendas caíram bastante. Esse fato ocorreu pela digitalização da informação! Um dos sebistas me confidenciou que anos atrás todos recorriam a compra de livros, mesmo sabendo que haviam bibliotecas para empréstimo, mas o fato de ter o livro em mãos era o diferencial. Porém, hoje com a difusão da internet a nova geração não vivenciou o prazer de ter o livro em mãos, mas basta ter o mesmo título dentro do seu HD. Quando recebi uma doação de livros, o ex-proprietário me disse que era bom eu levar todos os títulos, pois o volume estava incomodando e a presença dos livros era um empecilho para otimizar o espaço. A partir de então, concluí que o livro passou de uma preciosidade e se transformou em expurgo.


Desde a antiguidade, percebemos a evolução do livro e sabemos como foi importante para a disseminação da informação. Em uma época os livros foram proibidos, pois dependendo do conteúdo os governantes sabiam que poderiam mudar a sociedade e se tornariam perigosos. Havia uma época que a literatura era restrita para a alta sociedade (ainda bem que hoje não é assim) e a aquisição de vários títulos era motivo de status. Grandes obras permanecem imortais pelos livros e suas várias edições. Porém, percebo que hoje esses valores foram mudados pelo mundo digital e isso me incomoda bastante. Entendo claramente que o que passou passou e o contexto de hoje é bem diferente do passado, mas mesmo assim sinto que a nova geração não dará o mesmo valor.

Há alguns dias atrás, li uma matéria no site Globo.com onde a mesma colocava uma frase do ganhador do prêmio Nobel da literatura, Mario Vargas Llosa, onde acreditava que entramos na era da banalização da literatura. O mesmo ainda afirma que a digitalização de livros levariam a decadência desse tão precioso material (Clique aqui e leia a matéria). Infelizmente a internet virou um instrumento de contra cultura, princípios de valor e sentimentos. Graças a internet eu posso escrever esse texto e enviar para qualquer pessoa no mundo, mas do que adianta ter internet e perder um riquíssimo material (livro)? Podem me chamar de careta, mas cansei de redes sociais e ficar 16 horas por dia em frente ao computador. Não quero dar uma de intelectual, mas almejo ir para um lugar sossegado com minha esposa, futuros filhos e livros até o teto. Já dizia Elis Regina: Eu quero uma casa no campo; do tamanho ideal; pau-a-pique e sapé; onde eu possa plantar meus amigos; meus discos e livros; e nada mais”. Nessa semana também li uma frase interessantíssima do Zeca Camargo em seu blog (Clique aqui): “Mais vale um bom livro na mão do que uma página de internet voando...”.

Assim, acredito que deveríamos parar de endeusar o mundo digital. Será que o mal do novo século será a internet? Vemos diariamente em noticiários que a internet incentiva ao roubo, pedofilia, traição, divórcio, prostituição, tráfico de droga e outros. Espero saber educar bem meus filhos e alertá-los sobre o mal do mundo digital e mostrá-los como é prazeroso ler um livro e descobrir novos mundos. A internet trouxe “democratização” da informação, mas onde está os velhos costumes que foram tão importante para a geração passada? Onde estão os apaixonados por livros? Será que estou ficando careta e ultrapassado? Espero que minha biblioteca não seja expurgo quando eu partir...
“Mais vale um bom livro na mão do que uma página de internet voando”


Segue abaixo um vídeo do site Flavorwire que mostra o processo de criação de um livro. Será que entrará em extinção?

Vale a pena dar uma conferida.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Sobre aprendizado



Não sei o que deu em mim, mas ultimamente quero fazer inúmeras atividades ao mesmo tempo. Quero aprender tocar violão, quero conhecer Filosofia, quero voltar fazer natação, quero andar com meus cachorros, quero estudar teologia, quero namorar, quero vender livros, quero viajar para o exterior o mais breve possível, quero viver intensamente e fazer mais um milhão de outras coisas. E as vezes me deparo com meu pai, que já é uma pessoa mais velha e demonstra um desinteresse tão grande pela vida. Afinal, e agora José?!

Minha esposa me disse alguns dias atrás qual o verdadeiro motivo por querer aprender tantas coisas ao mesmo tempo, e eu por impulso disse que qual o verdadeiro sentido da vida se eu não vivesse sem aprender muitas coisas? Eu reconheço e sei muito bem que vivemos para seguir os ensinamentos de Deus, glorificando e louvando o seu santo nome. Mas vamos imaginar nesse instante somente a nossa vida sem as interferências da nossa fé, e aí? O que achou? Eu descobri que preciso aprender tantas coisas, viver tantas coisas que preciso muito adquirir esses conhecimentos. Pode ser que eles já estivessem embutidos na minha cabeça a anos e só agora eu resolvi tomar coragem para aprender, mas nesse momento eu descobri um novo modo de aproveitar a vida. Quando eu olho para o meu pai e vejo uma pessoa tão desanimada com a vida e tão sem paciências com o cotidiano, faço o maior esforço para não ficar assim quando envelhecer. Por que será que os idosos são assim com a vida? Será que já aprenderam tudo que gostariam de aprender? Ou será que a vida perdeu seu encanto? Nunca estudei sobre aprendizado humano, mas será que deixamos de aprender quando ficamos velho? Ou será falta de interesse?



Portanto, continuo aproveitando do meu jeitinho... Conversas animadíssimas pela madrugada com minha esposa, aprender violão até deixar os dedos doendo e depois de muito tempo tentando tirar um pedaço da música do Legião Urbana, passear com meus cachorros até perder a paciência, tentar descobrir o que na verdade é filosofia, tentar encaixar um horário para nadar, conhecer mais sobre o calvinismo e por aí eu vou me deixando levar... Porém quando eu lembro que tenho um Deus maravilhoso, me recordo que esses aprendizados de nada importam se eu não tenho Deus na minha vida!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre o passado, presente e a busca pelo paraíso

Serra de Ouro Branco


Já faz algum tem que ando pensando em escrever no blog, mas o mais engraçado é que quando realmente tenho tempo eu não escrevo. Porém, vim acumulando inúmeras idéias para o próximo texto e resolvi escrever sobre o passado, presente e a busca pelo paraíso.

Nos últimos dias tenho pensado tanto sobre minha terra natal (Ouro Branco). Lembro-me do friozinho de inverno, da casa que parecia para mim enorme, dos dias em que meu pai me pedia para tirar os ovos do galinheiro, das codornas que eram mortas por gambá (morria de medo deles), do sítio do meu pai que era preciso ligar um motor tão barulhento para tirar água da cisterna, do clube que a gente ia de vez em quando, do dia que a minha mãe me pediu para comprar ovos e eu cheguei em casa com todos quebrados, da ansiedade pela espera dos primos para passar férias com a gente ou até mesmo o dia em que eu aprendi a andar de bicicleta. Foram tantos acontecimentos, tantas alegrias que tenho pena por ter vivido tão pouco tempo nesse paraíso. Nessa época eu conheci vinil, fita K7, videocassete, vi o Brasil ser tetracampeão mundial, nossa casa tinha uma hortinha no quintal, meu pai tinha um Del Rey a álcool que eu me lembro até hoje do cheirinho e também do barulho, eu brincava na rua todos os dias, o som tinha caixas enormes e fio para todos os lados, nossa televisão era feita em uma caixa de madeira e a tela era um vidro arredondado. Quantas recordações que eu ainda insisto relembrar em todos esses anos...

Quando meus pais se separaram, pouco tempo depois viemos para Belo horizonte. Quanta mudança ocorreu em minha vida. A partir daquele momento eu brincava dentro do prédio ou encarcerado nas grades do apartamento. Não saia quase nada de casa, eu precisava pegar ônibus para estudar, ficava vendo televisão quase o tempo todo e não tinha muitos amigos. Meu paraíso foi deixado para trás e tinha que encarar a correria da cidade grande. Meu irmão mais velho foi estudar em Ouro Preto, meu irmão do meio foi procurar emprego e conhecer novas experiências e eu fiquei enclausurado dentro de 4 paredes. Nessa nova vida o tempo passou tão rápido que eu mal percebi... Vi as notícias da morte das mamonas assassinas pela televisão, conheci o walkman, presenciei a evolução dos videogames e a obsolescência do videocassete, vinil e fita K7. Quando assustei, estava aprendendo a digitar em um teclado de computador para mandar mensagens no Orkut e MSN. Logo após, deixei meu cabelo crescer, virei tio, achei que era gente grande, me endireitei por caminhos obscuros, virei crente, conheci Jesus, passei no vestibular, me casei e saí de casa. Ufá!

Porém acho que a vida têm me mostrado que preciso voltar aos tempos de infância, mas não como criança e sim voltar ao meu paraíso. Chega de ser enclausurado dentro de grades de apartamento, chega de ficar dependente de tecnologia e deixar a minha vida ser guiada por essas tendências, chega de andar no asfalto, chega de fumaça, chega de estresse. Quero voltar a ter hortinha no quintal, quero voltar a colher ovos no galinheiro, quero ter codornas, quero criar meus filhos no interior como meus pais fizeram, quero ter qualidade de vida, quero receber meus sobrinhos nas férias, quero não cometer os mesmos erros dos meus pais e ainda quero sentir o friozinho da serra de Ouro Branco. Dessa forma, vou deixando Deus guiar o meu caminho e entregar a minha vida nas mãos Dele, pois acredito que dessa forma vou conseguir gastar os meus dias com coisas que realmente são importantes.

Sítio do meu pai

Tio, tia e primos nas férias

Infância tranquila