Definitivamente me cansei do asfalto! Em toda a minha vida afirmei que a cidade era a melhor escolha para mim, pois dentro dela eu tenho tudo que eu necessito. Porém, estou presenciado um desenvolvimento totalmente contra a natureza. No meu bairro, por exemplo, quase toda semana eu vejo os funcionários da CEMIG cortando árvores para melhorar a transmissão de energia, ou o prédio ao lado que cortou cerca de 4 árvores para transformar em bancos e isso também inclui o meu prédio que cortou 3 palmeiras de quase 30 anos por que as folhas eram pesadas e poderiam machucar alguém. Esses exemplos são os "menos" degradantes, pois não citei ainda as obras do Mineirão que derrubou quase por completo todas as árvores do estacionamento e também o viaduto que vai ligar a Antônio Carlos ao Mineirão e derrubou boa parte da mata da UFMG em troca de estacionamento para a universidade.
Diante dessa situação, percebo que eu não quero mais essa urbanização destruidora. Cansei de ver árvores sendo destruídas para maior conforto de nós urbanos. Não quero mais compactuar com essas destruições de causas banais. Se pararmos para pensar e analisarmos que as árvores tem um poder essencial para a manutenção da biodiversidade, tenho certeza que não derrubaríamos tanto para aumentarmos a urbanização. As árvores abrigam diversas especies de formigas, fungos, bactérias, pássaros, mamíferos, oferece sombra, equilibra de certa forma a temperatura de uma micro-região, libera oxigênio e ainda tem o poder de armazenar carbono. A partir disso, qual o sentido de acabar com as árvores? Se continuarmos assim, vamos diminuir toda essa biodiversidade e consequentemente piorar nossa qualidade de vida.
Portanto, quero fugir desse marasmo e ir para um lugar onde tenha tranquilidade, horta, cachorro, plantas, ar puro e principalmente árvores. Cansei dessa urbanização, cansei do estresse da cidade grande, cansei desse ar poluído, cansei desse apartamento, cansei do asfalto, cansei do concreto... Cansei daqui! Como diz Elis Regina: "Eu quero uma casa no campo, Onde eu possa ficar no tamanho da paz. [...] Eu quero o silêncio das línguas cansadas. [...] Eu quero plantar e colher com a mão, a pimenta e o sal [...] Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros, E nada mais.
