sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ócio e Insônia - Momentos para pensar




Já fazem alguns dias que não consigo dormir direito. São horas de tentativa para entrar no sono, mas todas elas foram frustadas. Porém, por um lapso pensei como a insônia tem o poder de produzir momentos de ócio. Nesses dias corridos que temos vivido, nada melhor (ou pior) que parar para refletir na vida. Será que a insônia é um mecanismo biológico do cérebro para remoer ou chegarmos a solução de problemas?

Nesses dias da maldita insônia, realmente faço um grande esforço para dormir. A maratona começa logo após desligar a televisão e tentar achar uma posição confortável para o objetivo sagrado, chegando até mesmo realizar meditações acreditando que a concentração me traria algo positivo (pobre ilusão). São horas pensando em casa, móveis, livros, músicas, barulhinhos do outro lado da janela, no pijama que embola, nas sombras projetadas no teto, em família, profissão, futuro, em contas, cálculos, carro, filhos, barulhos de gente conversando na rua e tentando desvendar de onde elas estavam e por aí vai. Engraçado é pensar que ser ocioso é algo pejorativo, sendo tratado através dos tempos como vagabundagem. Porém o ócio tratado no texto não é ter o que fazer, mas não ter condições de realizar!



Porém a algumas semanas atrás, li em uma revista de filosofia que o ócio realmente é um exercício que traz benefícios para a vida do ser humano. Sabendo ministra-lo bem, o ócio é capaz de estimular ao pensando e quem sabe solucionar problemas, ou até mesmo exercitando algo que aprendeu recentemente para fixar melhor as idéias. Como falei anteriormente, nos dias de hoje é difícil parar para simplesmente pensar na própria vida. A televisão, alguns tipos de livros, revistas, rádios, jornais e algumas páginas da internet já trazem todas as informações mastigadas e prontas para serem engolidas pelo cérebro. O sistema cada vez mais exige que os indivíduos sejam completos, sendo doutores em alguma coisa, dominar no minimo outra língua, ter feito intercâmbio, saber falar em público, conseguir trabalhar em grupo e ainda saber de tudo que se passa no mundo com um toque de senso crítico. Nesse mundo caótico onde o dia tem que durar mais de 24 hrs, parar para ter momento de ócio e pensar em algo que realmente interessa ao individuo é perda de tempo. Apesar da insônia ser tão dolorosa, acredito que se não houver nenhuma substancia fazendo efeito (Ex.: café) ela é o reflexo do que temos presenciado em nossas vidas. Nos primeiros minutos pensamos em coisas aleatórias, mas após esse tempo passamos a remoer certas memórias com mais intensidade se tornando a dominante no momento. Com isso, nos tornamos mestres em estatística com inúmeras respostas nas mais diversas soluções.



Assim, não tenho o objetivo de fazer apologia a insônia sendo a salvação dos nossos problemas, mas ela realiza um papel de extrema importância. Portanto, ainda não concluí se esse fenômeno é algo natural ou induzido, mas será o único momento que realmente pensamos?! Será que é o único momento que somos nós mesmos? Se realmente essa for a resposta, com certeza quero passar muitas noites em claro e não parar de pensar...


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