Há alguns dias tenho pensado na natureza, meio ambiente, biodiversidade, planeta Terra,mercado de trabalho, seres vivos e não vivos. De acordo com minhas leituras e reflexões sobre estes temas, meus pensamentos têm mudado a cada dia. A faculdade, trabalho, estudos e a vida, propriamente dita, me ensinam que nem tudo nessa vida é tão romantizado como pensava a alguns anos atrás. Esse texto tem como objetivo mostrar como a “vivência” pode modificar atitudes, pensamentos e maneira de enxergar a vida.
Quando pensei em estudar de verdade para o vestibular, me interessei bastante na área da Geografia, pois tinha um excelente professor que transformava a didática em verdadeira arte. Porém a geografia não vingou e as Ciências Socioambientais foi um tiro no escuro, na tentativa de buscar um profissional mais ativo no campo. O ingresso na faculdade foi uma das maiores transformações da minha vida, pois tudo que havia imaginado seria colocado em prática e iria estudar somente aquilo que mais me agradava. Mas de fato, a vida não segue a mesma ordem que imaginamos e descobri que tudo aquilo que eu havia construído na minha mente não foi seguido. A vida, o meio ambiente, as crenças, os seres, os poderes, os elementos, as filosofias, os pensamentos, a natureza e as ciências foram tomando certas formas e sendo consolidadas. Acho que minha ingenuidade e interpretação, que tem grande culpa o sistema de ensino brasileiro, me fez sofrer nos primeiros meses de faculdade. Pensamos que todas as coisas possuem suas caixinhas e seguem uma ordem lógica, mas a realidade é bem diferente do que pensamos. Todas as ciências se relacionam de forma muito mais complexa do que imaginamos e esse fato faz da vida uma das coisas mais espetaculares do universo.
Quando levei o impacto dos primeiros meses de faculdade, achei que havia aprendido tudo sobre a desconstrução do romantismo, porém quando vamos a campo e temos que colocar toda a teoria que aprendemos em prática, identificamos que as relações também são muito mais complexas do que imaginamos. Minha experiência no meu trabalho atual tem me mostrado que a implementação de um sistema de qualidade, que tem como base a educação ambiental, não é simplesmente coleta seletiva, economia de água, luz e poluição sonora, mas envolvem outros agentes que fazem desse processo muito mais complexo. Construir uma imagem ecológica para uma empresa e transformar seus agentes em sujeitos ambientalmente conscientes, que fazem parte de diversas classes sociais exige um grau de complexidade bem elevada. A burocracia, o capital cultural, a liberdade e os paradigmas dificultam ainda mais esse processo.
Portanto, concluo que a cada dia que se passa aprendemos um pouco mais sobre como as coisas funcionam nessa vida. A prática nos ensina muitas coisas, mas as teorias possuem um papel de grande importância na construção do pensamento humano. Dessa forma, se afirmarmos que somente a “vivência” transforma o pensamento humano, devemos de fato viver para aprender.
