sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sentimentos



Por que temos sentimentos? Acho que às vezes devemos ser duros como concreto e não ser abalados por nada. Acho que se fossemos assim, sofreríamos menos e viveríamos melhores. Sei que os seres humanos são os únicos que têm essa característica tão peculiar, mas às vezes gostaria de ser um animal inabalável. Sofremos com o bem, sofremos com o mal... Choramos de alegria e também de dor. Por que somos assim? Por que Deus nos fez assim? Por que diferenciamos dos outros seres?

Às vezes antes de dormir imagino como seria bom se não fossemos apegados com as coisas e com os outros... Imagina se o mundo fosse assim? Seria tão bom! E nesses pensamentos, também me pergunto por que formamos amizade. Sabia que eles atrapalham? Se fossemos menos sociáveis não existiriam ciúmes, brigas, intrigas e até mesmo morte. Ciúmes é uma coisa que atrapalha todos os relacionamentos... As mães morrem de medo de perder os filhos, os namorados e também os já casados ficam inseguros, os amigos no fundo no fundo sentem ciúmes por ser deixado de lado por alguns minutinhos. Se um relacionamento traz tanto sofrimento, por que nos relacionamos? Amar e ser amado é tão bom, porém às vezes nos traz tanto sofrimento. Chega a doer a cabeça!

Assim, minha conclusão é que viver é um eterno sofrimento. Ou seja, sofrer também é viver e tudo isso faz parte da nossa vida. Viver sem sofrimento não é viver. Você já conquistou algo muito importante sem sofrer? Acredito que não. Penso que minha vida se perderá em pouco tempo, mas um anjo me disse que sofrer é só para os fortes. A morte me causa certo arrepio, mas deixo nas mãos de Deus. Foi ele quem me criou e sabe muito bem quando essa hora chegará.

Enquanto isso continuo sofrendo e deixando as lágrimas molharem o meu rosto...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Encéfalo Altamente Desenvolvido (Ser Humano?)



Se o ser humano tem um encéfalo altamente desenvolvido e preza alimentar os porcos do que os seres humanos... Dessa forma, não chegamos nem mesmo a ser melhor que os próprios porcos. Ou seja, os seres humanos comem aquilo que até os porcos rejeitam!

Viva os Seres Humanos!

Documentário Ilha das Flores - 1989



Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.

Ficha Técnica

Produção Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil, Nôra GulartFotografia Roberto Henkin, Sérgio Amon Roteiro Jorge Furtado Edição Giba Assis Brasil Direção de Arte Fiapo BarthTrilha original Geraldo Flach Empresa(s) produtora(s)Casa de Cinema de Porto Alegre Narração Paulo José

Prêmios

Urso de Prata no Festival de Berlim 1990
Prêmio Crítica e Público no Festival de Clermont-Ferrand 1991
Melhor Curta no Festival de Gramado 1989
Melhor Edição no Festival de Gramado 1989
Melhor Roteiro no Festival de Gramado 1989
Prêmio da Crítica no Festival de Gramado 1989
Prêmio do Público na Competição "No Budget" no Festival de Hamburgo 1991

As florestas são de todos os brasileiros



Quem disse que as florestas brasileiras, as mais lindas e diversas do mundo, seriam deixadas para uso apenas do agronegócio? Elas deveriam ser também de indígenas, perfumistas, escritores, botânicos e muitos outros.
Inúmeros segmentos da sociedade brasileira têm interesses nas florestas, todos têm algo a ver com elas, vivem delas, sonham com elas, levam a vida falando delas. Alguns vivem dentro delas. O brasileiro é um bicho-do-mato atávico, que mora em cidade, mas gosta do rural… e também da Amazônia, da mata, do cerrado, da caatinga, do Pantanal.
Ter florestas é bom, não apenas para produzir madeira, carvão vegetal, celulose, grãos e comida, mas, também, para brincar, fotografar, cantar, orar, admirar, passear, imaginar, usar, estudar, fantasiar, pesquisar. Elas são a vida.
O mundo precisa de florestas para manter o equilíbrio dinâmico entre atmosfera, oceanos, animais e fauna; elas retêm um estoque de gases de efeito estufa e protegem a vida no planeta. A cada árvore que cai uma quantidade de gás carbônico sobe na atmosfera. A biodiversidade do planeta, hoje cada vez mais ameaçada, vive nas florestas, principalmente é parte do sistema terrestre. Elas embaralham a vida – lindamente, magicamente.
Mas, por que razão o substitutivo ora em discussão na Câmara de Deputados fala apenas de proprietários rurais, fazendeiros e agronegócio? A lei ora em votação na Câmara deixará de fora algumas galeras que, embora não produzam sequer um quilo de nada, usam sua inteligência para criar coisas imateriais de grande utilidade para entender a vida. Não podemos aceitar que o novo Código Florestal seja aprovado sem ninguém falar com essas galeras. Os deputados têm o dever de falar com o povo brasileiro sobre coisa tão importante como as matas.

Quem são as pessoas e seres que gostam de florestas, protegem-nas e amam-nas? Você, leitor, é uma delas?

Autor: Milton Nogueira

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Falta de Sorte ou Providência Divina?



No último final de semana foi uma mistura de ação social, diversão, cansaço e negação. No sábado a correria começou logo pela manhã, doação de sangue, depois almoço, mais tarde um cineminha com um pouquinho de gripe e para fechar com chave de ouro, programação de casais incrementado com febre, dor no corpo, fome, cansaço, falta de paciência, vontade de tomar banho e dormir. O Domingo foi dia de serviço junto aos diáconos, que por falta de sorte foi encerrado com dor de estomago e de barriga. Será que foi falta de sorte?

Conforme havia combinado com minha noiva, fui realizar uma das mais belas ações que o ser humano pode exercer, doar uma parte do meu sangue para pessoas que carecem da mesma substância. Levantei bem cedinho já mal humorado, pois havia ficado acordado até 02:00 da manhã vendo um filme de Quentin Tarantino. Quem já viu os filmes desse diretor, sabe muito bem que eles prendem a atenção e agüentamos até a última energia ser esgotada. Pois bem, saí e fui direto para o Hemocentro achando que seria atendido o mais rápido possível. Pobre ilusão, fiquei quase 3 horas para passar por todo o processo de triagem e finalmente doar o liquido milagroso. Ufa! Saí de lá feliz e nervoso ao mesmo tempo. Encontrei com minha noiva e planejamos almoçar e pegar um cineminha. Parecia que o plano seria executado da mais bela forma possível, porém um vírus ou sabe-se lá o que era, me pegou de jeito! No cinema, não conseguia encontrar uma posição confortável. O filme, magicamente tornou-se uma tortura de ser assistido. Permaneci até o término (literalmente). Saindo de lá, fomos para o encontro de casais... Acho que foi às duas horas mais longas que eu tive na minha vida! Não conseguia prestar atenção em nada e os sintomas começaram à aparecer mais nitidamente. Corpo dolorido, olhos ardendo, dor de cabeça, garganta seca e um frio insuportável. Foi uma provação daquelas! Cheguei na casa da minha noiva quase morto de tanto sofrimento... A noite, comecei a refletir sobre minha vida, minha existência, meus amigos, familiares, casamento e principalmente minha noiva. Ao som de uma música que falava sobre solidão, elevei minha mente e coração a Deus, me senti confortável com sua presença e por todo cuidado. E isso não ocorria fazia um bom tempo.

Mas minha saga não termina no sábado, pois o domingo foi o dia de pura labuta. Sou introdutor (Quase diácono) da igreja, ou seja, recepciono todos na entrada, sirvo lanche para a criançada, organizo a igreja antes da escola bíblica dominical e também antes do culto. Para vocês terem uma idéia, são dois turnos que juntos somam 7 horas de serviço. Como eu sabia que não teria ninguém para me substituir, levantei bem cedo e fui para o trabalho... Mas apesar de todo cansaço, faço isso com muita alegria no coração, pois o trabalho é para honra e glória ao nosso Deus todo poderoso. Como ontem estava bem frio e estamos no mês de aniversário da igreja, foi servido caldo de feijão e de mandioca para todos os membros. Estava tão bom, que eu comi cerca de umas 3 tijelas de caldo...  Acabou o serviço e fui para casa dormir. Acordei hoje com dor no estômago e uma dor de barriga terrível.

Assim, cheguei à conclusão que apesar das dificuldades temos que trabalhar com força de vontade, principalmente se for para obra de Deus. Reclamei diversas vezes que estava mal e que não daria conta de fazer nada... Porém persisti e fui até o final! E nessa loucura de doença e correria, no sábado à noite pensei bastante em Deus, nos meus familiares, nos meus amigos, no meu casamento que já está bem pertinho e principalmente na minha noiva. Nessas reflexões, me perguntei se pensamos em Deus somente em situações de sofrimento. Será que nos lembramos Dele somente no desespero? Será que agradecemos todos os dias por tudo que recebemos Dele? Somos todos egoístas? Será que apenas uma gripe poderia negar todo o sofrimento de Jesus na cruz? Será que fazemos tudo que Ele gostaria que fizéssemos? Será que estamos fazendo da maneira correta? Será que tudo que aconteceu comigo foi falta de sorte ou foi para refletir em minha vida e voltar os meus olhos para Deus? 

De fato, nada disso foi por acaso...

Os Benefícios da Música


Independentemente do som que você curta, todo mundo precisa de alguma coisa para escutar. Um mundo sem canções seria algo sem graça, pois, as melodias e harmonias fazem parte de nossas vidas. Em uma vida contemporânea cada vez mais barulhenta, elas se tornam cada vez mais necessárias. Vai dizer que você nunca ouviu alguma música que lhe tranqüilizou? Ou, alguma que fez com que respirasse fundo, pois retratava algum momento especial da sua vida? Pois é, muitas canções, através de suas palavras e notas musicais nos remetem a uma sensação de paz e felicidade e nos transportando para um estado até mesmo de graça. 


Não é de hoje que o homem sabe que a música faz bem para a sua saúde. Desde a Grécia antiga já havia estudos sobre isso. O filósofo Aristóteles, por exemplo, no século V a.C, reparou que as canções causavam uma influência positiva sobre o corpo humano e passou a utilizá-las para ajudar pessoas que sofriam com problemas psicológicos.



Em 1500 a.C, Papiros de Kahun, percebeu que a música trazia benefícios a mulheres grávidas e passou a usufruir dela, para ajudar durante a gestação. Mas, foi somente após a primeira guerra mundial, que as melodias passaram a serem utilizadas em hospitais como terapia para veteranos de batalhas. A partir de então, essa ciência não parou de evoluir.



Nos dias atuais existem até cursos que formam profissionais que tratam pacientes com problemas físicos, mentais e sociais através do uso da música e sons. Através da utilização de instrumentos musicais, vocais ou ruídos é possível tratar diversos problemas. Portadores de distúrbios da fala, além de pessoas com deficiências auditivas, mentais, estudantes com dificuldades de aprendizado ou até mesmo pacientes com câncer ou aids, podem ser tratados por musicoterapeutas, que são os profissionais que estudam essa área.


Pelo forte impacto causado pela música no cérebro humano, recomenda-se que ela seja introduzida na vida das crianças desde cedo. Ela ajuda na prevenção de mal de Alzheimer e reduz a ansiedade e a solidão podendo assim evitar a depressão. Por diminuir o estresse, ela permite que o corpo fique mais relaxado, deixando o sistema imunológico livre para trabalhar no seu potencial máximo, ajudando assim a combater doenças cotidianas: como gripes e resfriados.



São inúmeros os benefícios que a música traz para nossa saúde e mente. Ela nos torna mais humanos, nos ajudando a entender o sentimento do próximo, melhorando o relacionamento com as pessoas. Através da música é possível protestar, impor uma opinião, mover multidões, podendo assim mudar toda uma geração. A música não faz bem somente a uma pessoa e sim ao mundo todo. Respeitando o gosto de cada um e não abusando da altura do som, a música só tende a lhe te fazer o bem. Por isso cante, ouça, sinta todo o poder que um som pode trazer. 





Você conhece Musicoterapia? 

"Musicoterapia é a utilização da música e/ou seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, num processo para facilitar, e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.
A Musicoterapia objetiva desenvolver potenciais e/ou restabelecer funções do indivíduo para que ele/ela possa alcançar uma melhor integração intra e/ou interpessoal e, conseqüentemente, uma melhor qualidade de vida, pela prevenção, reabilitação ou tratamento". 
(Federação Mundial de Musicoterapia Inc. 1996 )



sexta-feira, 20 de maio de 2011

Uma esperança: a Era do Ecozóico



Quem leu meu artigo anterior O antropoceno:uma nova era geológica deve ter ficado desolado. E com razão, pois, quis intencionalmente provocar tal sentimento. Com efeito, a visão de mundo imperante, mecanicista, utilitarista, antropocêntrica e sem respeito pela Mãe Terra e pelos limites de seus ecossistemas só pode levar a um impasse perigoso: liquidar com as condições ecológicas que nos permitem manter nossa civilização e a vida humana neste esplendoroso Planeta.

Mas como tudo tem dois lados, vejamos o lado promissor da atual crise: o alvorecer de uma nova era, a do Ecozóico. Esta expressão foi sugerida por um dos maiores astrofísicos atuais, diretor do Centro para a História do Universo, do Instituto de Estudos Integrais da Califórnia: Brian Swimme.
Que significa a Era do Ecozóico? Significa colocar o ecológico como a realidade central a partir da qual se organizam as demais atividades humanas, principalmente a econômica, de sorte que se preserve o capital natural e se atenda as necessidades de toda a comunidade vida presente e futura. Disso resulta um equilíbrio em nossas relações para com a natureza e a sociedade no sentido da sinergia e da mútua pertença deixando aberto o caminho para frente.

Vivíamos sob o mito do progresso. Mas este foi entendido de forma distorcida como controle humano sobre o mundo não-humano para termos um PIB cada vez maior. A forma correta é entender o progresso em sintonia com a natureza e sendo medido pelo funcionamento integral da comunidade terrestre. O Produto Interno Bruto não pode ser feito à custa do Produto Terrestre Bruto. Aqui está o nosso pecado original.
Esquecemos que estamos dentro de um processo único e universal – a cosmogênese – diverso, complexo e ascendente. Das energias primordiais chegamos à matéria, da matéria à vida e da vida à consciência e da consciência à mundialização. O ser humano é a parte consciente e inteligente deste processo. É um evento acontecido no universo, em nossa galáxia, em nosso sistema solar, em nosso Planeta e nos nossos dias.

A premissa central do Ecozóico é entender o universo enquanto conjunto das redes de relações de todos com todos. Nós humanos, somos essencialmente, seres de intrincadíssimas relações. E entender a Terra com um superorganismo vivo que se autoregula e que continuamente se renova. Dada a investida produtivista e consumista dos humanos, este organismo está ficando doente e incapaz de “digerir” todos os elementos tóxicos que produzimos nos últimos séculos. Pelo fato de ser um organismo, não pode sobreviver em fragmentos mas na sua integralidade. Nosso desafio atual é manter a integridade e a vitalidade da Terra. O bem-estar da Terra é o nosso bem-estar.




Mas o objetivo imediato do Ecozóico não é simplesmente diminuir a devastação em curso, senão alterar o estado de consciência, responsável por esta devastação. Quando surgiu o cenozóico (a nossa era há 66 milhões de anos) o ser humano não teve influência nenhuma nele. Agora no Ecozóico, muita coisa passa por nossas decisões: se preservamos uma espécie ou um ecossistema ou os condenamos ao desaparecimento. Nós copilotamos o processo evolucionário.

Positivamente, o que a era ecozóica visa, no fim das contas, é alinhar as atividades humanas com as outras forças operantes em todo o Planeta e no Universo, para que um equilíbrio criativo seja alcançado e assim podermos garantir um futuro comum. Isso implica um outro modo de imaginar, de produzir, de consumir e de dar significado à nossa passagem por este mundo. Esse significado não nos vem da economia mas do sentimento do sagrado face ao mistério do universo e de nossa própria existência.Isto é a espiritualidade. 

Mais e mais pessoas estão se incorporando à era ecozóica. Ela, como se depreende, está cheia de promessas. Abre-nos uma janela para um futuro de vida e de alegria. Precisamos fazer uma convocação geral para que ela seja generalizada em todos os âmbitos e plasme a nova consciência.


Autor: Leonardo Boff



Cursou Filosofia em Curitiba-PR e Teologia em Petrópolis-RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959. Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis. Professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa (Portugal), Salamanca (Espanha), Harvard (EUA), Basel (Suíça) e Heidelberg (Alemanha).
Esteve presente nos inícios da reflexão que procura articular o discurso indignado frente à miséria e à marginalização com o discurso promissor da fé cristã gênese da conhecida Teologia da Libertação. Foi sempre um ardoroso defensor da causa dos Direitos Humanos, tendo ajudado a formular uma nova perspectiva dos Direitos Humanos a partir da América Latina, com "Direitos à Vida e aos meios de mantê-la com dignidade".
É doutor honoris causa em Política pela universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela universidade de Lund (Suécia), tendo ainda sido agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, por causa de sua luta em favor dos fracos, dos oprimidos e marginalizados e dos Direitos Humanos.
Em 1992 renunciou às suas atividades de padre e se auto-promoveu ao estado leigo. "Mudou de trincheira para continuar a mesma luta": continua como teólogo da libertação, escritor, professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do estrangeiros, assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador, como o Movimento dos Sem Terra e as comunidades eclesiais de base (CEB's), entre outros.
Em 8 de Dezembro de 2001 foi agraciado com o premio nobel alternativo em Estocolmo (Right Livelihood Award).
Atualmente vive no Jardim Araras, região campestre ecológica do município de Petrópolis-RJ e compartilha vida e sonhos com a educadora/lutadora pelos Direitos a partir de um novo paradigma ecológico, Marcia Maria Monteiro de Miranda. Tornou-se assim ‘pai por afinidade’ de uma filha e cinco filhos compartilhando as alegrias e dores da maternidade/paternidade responsável. Vive, acompanha e re-cria o desabrochar da vida nos "netos" Marina , Eduardo, Maira, Luca e Yuri

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Liberdade de Expressão




O direito à liberdade de expressão garante a qualquer indivíduo a possibilidade de se manifestar, de buscar e receber informações e idéias de todos os tipos, independentemente da intervenção de terceiros. Isto pode ocorrer oralmente, de forma escrita, através da arte ou de qualquer meio de comunicação.
Com a criação da Organização das Nações Unidas, o direito à liberdade de expressão passou a ser compreendido como base para a consolidação dos regimes democráticos e a efetivação de outros direitos humanos e liberdades fundamentais. Desde então, o direito à liberdade de expressão é garantido por padrões e tratados internacionais e reconhecido por diversos países nas suas legislações domésticas.
Tais documentos buscam estabelecer princípios para a liberdade de expressão, de forma que a garantia de livre manifestação e circulação de idéias e opiniões possa ser exercida pelos mais variados grupos – étnicos, religiosos, sociais, etc. – e não entre em conflito com os demais direitos humanos.
A liberdade de expressão não é um direito absoluto, mas sua restrição deve estar baseada em parâmetros bastante claros e estritos. Portanto, é necessário definir o são restrições legítimas, em contraponto àquelas que caracterizam abuso de poder e ilegalidade.
A liberdade de expressão é um direito humano e deve ser interpretado num contexto de direitos humanos. Neste sentido, lembramos as observações de um professor da área:
“Assim, quando numa discussão reivindicamos um interesse ou um valor que nos diz respeito, como a integridade física, que é protegida por um direito, esta reivindicação deve prevalecer sobre outros valores ou interesses que não são protegidos por direitos.

Por exemplo: reduzir os gastos do Estado pode ser um objetivo ou um interesse legítimo do governo, mas isto não pode ser feito fechando escolas ou deixando de pagar professores, pois o governo tem um dever de prestar este serviço, o que decorre do direito que todas as crianças e jovens têm à educação. ... Não se busca aqui argumentar que os direitos, em geral, sejam absolutos, que prevaleçam sobre todos os outros interesses; por outro lado deve-se destacar que muitas vezes os direitos encontram-se em tensão uns com os outros.

Essa definição de direitos, além de nos auxiliar a compreender o papel dos direitos como fundamento para a ação individual e coletiva, também nos permite solucionar conflitos entre direitos. Se adotássemos uma definição mecânica, em que direitos impõe deveres diretamente, ficaria difícil explicar porque, na prática, muitas vezes os sujeitos de direitos vêem seus direitos legitimamente limitados pelos direitos dos outros.
Se tenho direito a plena liberdade de expressão, como justificar que este direito possa ser restringido, se pela minha definição mecânica, todas as outras pessoas se encontram obrigadas automaticamente a respeitar tal liberdade? Caso razões como a integridade moral de outras pessoas ou mesmo a segurança da coletividade possam ser legitimamente invocadas para restringir o meu direito à liberdade de expressão, a linguagem dos direitos como fonte geradora de deveres, ficaria absolutamente destituída de sentido.
Porém se adotarmos uma definição de direito que não seja mecânica, mas que transforme as pretensões articuladas por intermédio da linguagem dos direitos, em razões prioritárias, razões com pretensão de superioridade, então poderemos entender porque em face de outras razões também importantes, em determinadas circunstâncias, nossos direitos são algumas vezes obrigados a se conciliar com razões adversas.”
Mas como verificar se, em um caso concreto, a liberdade de expressão está sendo legitimamente limitada?
Propomos a adoção de alguns parâmetros:

- Nenhuma autoridade pode limitar a liberdade de expressão de forma arbitrária.
- A restrição deve ser embasada em princípios internacionais que prevêem casos nos quais a restrição à liberdade de expressão será legítima.
- A restrição deve estar relacionada a objetivos legítimos, listados na lei, como preservação da privacidade, segurança nacional, segurança pública ou individual, eficiência e integridade dos processos de tomada de decisão do governo, etc.
- A informação sujeita a restrição deve causar graves prejuízos aos objetivos listados na lei.
- O prejuízo ao objetivo em questão deve ser maior do que o interesse público em ter a informação divulgada. Ou seja, mesmo que a informação se enquadre nos princípios anteriores, ela deve ser aberta ao público se os benefícios dessa publicação forem superiores aos prejuízos.
- A restrição deve ser proporcional e relacionada ao objetivo inicialmente pretendido.
- As restrições devem ser não-discriminatórias, ou seja, as autoridades não podem fazer uso das restrições para silenciar um grupo político ou social.

Desde a transição para o regime democrático, o Brasil garantiu o direito à liberdade de expressão em sua Constituição Federal, além de reconhecer tratados internacionais relativos ao tema. Apesar disso, alguns avanços em temas específicos são necessários para que a liberdade de expressão se consolide plenamente, como por exemplo em questões como a regulamentação do setor de radiodifusão, a liberdade de imprensa e a democratização do acesso aos meios de comunicação.

Após essa reflexão, será que no Brasil ainda temos plena liberdade de expressão ou ainda vivemos na ditadura camuflada? O vídeo que segue baixo, expressa muito bem o que ainda temos vivido... 


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Manchas verdes e a falsa idéia da biodiversidade



Quem nunca fez uma trilha em uma área que parecia estar bem conservada de Mata Atlântica e saiu decepcionado por não ter visto um bicho sequer? Pois infelizmente isto já é bem conhecido dos estudiosos ligados às ciências da natureza e tem até nome, são as ‘Florestas Vazias’, onde as comunidades animais, especialmente de grandes indivíduos, foram dizimadas.


Nelas, os processos ecológicos são gradativamente perdidos, como as sementes que se acumulam no chão da floresta por falta de dispersores (exterminados) ou as populações de animais que acabam sumindo devido a pequena variabilidade genética regional.
A reintrodução destas espécies em seus ecossistemas originários é uma estratégia rotineira para recomposição em ambientes naturais de órgãos ambientais em vários países, como África do Sul, Nova Zelândia e Reino Unido.
Porém, segundo o Biólogo e Doutor em Zoologia Fábio Olmos, em contraposição, no Brasil pouco se pensa em projetos de reintrodução , por exemplo, nem com as araras na Mata Atlântica se têm o cuidado necessário para conseguir manter sua população em médio e longo prazo.
Os britânicos estão trabalhando para restaurar uma população de Grous (Grus grus), perdida na natureza há cerca de 400 anos devido à drenagem de áreas úmidas. A meta é que 100 aves sejam liberadas na natureza até 2015 (Leia mais).
Os neo-zelandeses também estão realizando projetos de sucesso no reestabelecimento de populações de Kokako, dizimados pelo desmatamento e introdução de predadores exóticos pelas mãos dos homem (como ratos). Fábio contou, durante o AVISTAR 2011, realizado em São Paulo no último final de semana, que na Nova Zelândia, as espécies exóticas são eliminadas, a vegetação nativa é reestabelecida e os animais reintroduzidos.
Terras brasilis
No Brasil, os exemplos de iniciativas do gênero são poucos, como no caso dos Guarás em Cubatão, onde foi feita uma soltura sem alguma metodologia numa época em que o zoológico de Santos não tinha mais espaço para tantos animais. Atualmente o manguezal da cidade conta com cerca de dois mil Guarás.
No caso dos Guarás, a estratégia utilizada não foi exatamente a mais adequada, apesar de ter dado certo, conta Fábio
É necessária uma base científica precisa para a reintrodução de espécies em áreas de mata nativa, do contrário, danos significativos podem ser infringidos às populações residentes, como a introdução de patógenos aos quais não têm imunidade ou o desequilíbrio populacional, quando não se tem conhecimento suficiente sobre o ecossistema que se pretende enriquecer.
projeto Ninhos é um bom exemplo, que reintroduziu cinco Tucanos Toco (Ramphastos toco) apreendidos em fiscalização da Policia Ambiental em São Carlos, São Paulo, após reabilitação. A soltura simples dos tucanos foi feita com a ajuda de agricultores da região, com a instalação de um viveiro temporário em sua propriedade para que os animais se acostumassem novamente com o ambiente natural.

O monitoramento desses animais está em andamento e dados conclusivos sobre a permanência desses indivíduos em seus ecossistemas originais ainda são desconhecidos.
A base jurídica para a reintrodução de animais silvestres existe no Brasil, envolvendo a Constituição Federal (Artigo 225 § 1), a Lei de Crimes Ambientais (Cap. III, Art. 25 §1 e e Decreto  6.514/08) e a Instrução Normativa 179/2008 do IBAMA.
“O maior problema é o governo, sendo muito pouco proativo para juntar os diferentes atores e fazer com que funcione. Cada um acaba fazendo o que quer”, alertou Fábio.
Apesar da legislação, que prevê sanções aos crimes ambientais, mencionar uma multa maior aos crimes ambientais comespécies ameaçadas, os traficantes continuam sem uma punição real já que a pena de no máximo três anos de detenção pode ser objeto de transação penal e virar cestas básicas.
Venda de animais
O comércio ilegal de animais silvestres é amplamente conhecido e repudiado pela população, entretanto ainda existem muitas pessoas que, por estarem longe da natureza, querem trazer um pedacinho dela para sua casa, mesmo vivendo no meio da cidade, e acabam contribuindo com este atividade extremamente cruel.

Segundo dados reunidos em São Paulo e compilados pelo IBAMA, cerca de 35 mil animais silvestres são apreendidos todos os anos apenas no Estado. Isto é uma quantidade ínfima do que realmente é movimentado no país, um cenário arrebatador que passa longe do conhecimento de muitas pessoas que incentivam o comércio ilegal pensando ser apenas um bichinho, não tendo impacto algum.
Vincent Lo, analista do IBAMA também presente no AVISTAR 2011, lamenta que mesmo dos 35 mil animais apreendidos, apenas cerca de 10 mil são recebidos pelos seis Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de SP. Destes 10 mil, 30% acaba morrendo, 30% vai parar em cativeiros e 30% são soltos. Portanto, apenas uma quantidade ridícula dos animais consegue voltar aos seus ecossistemas originais e cumprir o seu papel ecológico.
Os locais de soltura também são um obstáculo, pois precisam de uma série de requisitos para garantir que as espécies não sejam ameaçadas. No Estado de São Paulo, o Ibama tem incentivado a formação destas áreas de soltura em parceria com proprietários interessados em preservação e recomposição da fauna local (Leia mais).
A discussão sobre o direcionamento destas espécies capturadas no comércio ilegal para o repovoamento das ‘Florestas vazias’ é uma muito discutida entre os meios acadêmico e administrativo no Brasil, porém a burocracia e as duvidas procedurais quanto à soltura dos animais ainda impedem que grande parte volte para as florestas.
Cuidados sanitários, epidemiológicos e científicos devem ser tomados antes da soltura, mas é ainda mais urgente que sejam tomadas decisões concretas antes que seja tarde demais.
O governo precisa fazer o seu papel fortalecendo os CETAS( hoje muitos estão em estado de penúria), as polícias ambientais e os órgãos de fiscalização e ainda apoiando pesquisas epidemiológicas sobre doenças de animais silvestres e também sobre a composição dos próprios ecossistemas, ainda extremamente desconhecidos.
Silvestre não é pet
Mas não podemos esquecer que temos uma responsabilidade enorme que é a de conscientizar as pessoas ao nosso redor que o lugar de animais silvestres, mesmo que “bem tratados”, não é em nossas casas como animais de estimação e sim nos seus respectivos ambientes naturais, do qual eles dependem.
A domesticação de animais silvestres (como tartarugas, papagaios, dentre outros) é um perigo para a saúde dos ‘proprietários’, pois trazem consigo muitas doenças e têm comportamento naturalmente selvagem, podendo os machucar. A tentativa de sua ‘humanização’ é um stress desnecessário para o animal que deveria estar a quilômetros da cidade, cumprindo seu papel ecológico.
“Temos que incentivar o avistamento em vida livre, como atividades de Birdwatching (Observação de Aves), silvestre não é pet, a diversão humana não pode ser às custas dos animais”, ressaltou Vincent.
A remoção de animais silvestres dos seus ambientes é um problema sério e silencioso, pois muitos de nós têm a falta idéia ao ver áreas verdes que a biodiversidade está por todos os lados como há 500 anos. Mas a cada dia, filhotes são tirados das mães, comprados, e quando se percebe as dificuldades de criar um animal destes, ele é abandonado em CETAS e as florestas… ficam cada vez mais vazias.
Durante o AVISTAR 2011 diversos temas foram discutidos e apresentados norteando a relação entre as aves e os ecossistemas naturais no Brasil e no Mundo, mostrando sua importância como bioindicadoras e subsidiando à conservação ambiental através do conhecimento de seus hábitos, e dessa forma sensibilizando muitas  pessoas a protegerem os biomas brasileiros, tão ameaçados.
Linha Verde do Ibama:(denúncias e informações) – 0800 61 8080

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.