sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre o passado, presente e a busca pelo paraíso

Serra de Ouro Branco


Já faz algum tem que ando pensando em escrever no blog, mas o mais engraçado é que quando realmente tenho tempo eu não escrevo. Porém, vim acumulando inúmeras idéias para o próximo texto e resolvi escrever sobre o passado, presente e a busca pelo paraíso.

Nos últimos dias tenho pensado tanto sobre minha terra natal (Ouro Branco). Lembro-me do friozinho de inverno, da casa que parecia para mim enorme, dos dias em que meu pai me pedia para tirar os ovos do galinheiro, das codornas que eram mortas por gambá (morria de medo deles), do sítio do meu pai que era preciso ligar um motor tão barulhento para tirar água da cisterna, do clube que a gente ia de vez em quando, do dia que a minha mãe me pediu para comprar ovos e eu cheguei em casa com todos quebrados, da ansiedade pela espera dos primos para passar férias com a gente ou até mesmo o dia em que eu aprendi a andar de bicicleta. Foram tantos acontecimentos, tantas alegrias que tenho pena por ter vivido tão pouco tempo nesse paraíso. Nessa época eu conheci vinil, fita K7, videocassete, vi o Brasil ser tetracampeão mundial, nossa casa tinha uma hortinha no quintal, meu pai tinha um Del Rey a álcool que eu me lembro até hoje do cheirinho e também do barulho, eu brincava na rua todos os dias, o som tinha caixas enormes e fio para todos os lados, nossa televisão era feita em uma caixa de madeira e a tela era um vidro arredondado. Quantas recordações que eu ainda insisto relembrar em todos esses anos...

Quando meus pais se separaram, pouco tempo depois viemos para Belo horizonte. Quanta mudança ocorreu em minha vida. A partir daquele momento eu brincava dentro do prédio ou encarcerado nas grades do apartamento. Não saia quase nada de casa, eu precisava pegar ônibus para estudar, ficava vendo televisão quase o tempo todo e não tinha muitos amigos. Meu paraíso foi deixado para trás e tinha que encarar a correria da cidade grande. Meu irmão mais velho foi estudar em Ouro Preto, meu irmão do meio foi procurar emprego e conhecer novas experiências e eu fiquei enclausurado dentro de 4 paredes. Nessa nova vida o tempo passou tão rápido que eu mal percebi... Vi as notícias da morte das mamonas assassinas pela televisão, conheci o walkman, presenciei a evolução dos videogames e a obsolescência do videocassete, vinil e fita K7. Quando assustei, estava aprendendo a digitar em um teclado de computador para mandar mensagens no Orkut e MSN. Logo após, deixei meu cabelo crescer, virei tio, achei que era gente grande, me endireitei por caminhos obscuros, virei crente, conheci Jesus, passei no vestibular, me casei e saí de casa. Ufá!

Porém acho que a vida têm me mostrado que preciso voltar aos tempos de infância, mas não como criança e sim voltar ao meu paraíso. Chega de ser enclausurado dentro de grades de apartamento, chega de ficar dependente de tecnologia e deixar a minha vida ser guiada por essas tendências, chega de andar no asfalto, chega de fumaça, chega de estresse. Quero voltar a ter hortinha no quintal, quero voltar a colher ovos no galinheiro, quero ter codornas, quero criar meus filhos no interior como meus pais fizeram, quero ter qualidade de vida, quero receber meus sobrinhos nas férias, quero não cometer os mesmos erros dos meus pais e ainda quero sentir o friozinho da serra de Ouro Branco. Dessa forma, vou deixando Deus guiar o meu caminho e entregar a minha vida nas mãos Dele, pois acredito que dessa forma vou conseguir gastar os meus dias com coisas que realmente são importantes.

Sítio do meu pai

Tio, tia e primos nas férias

Infância tranquila

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Internet e a Impessoalidade



Pelo menos nos últimos 20 anos o mundo tem passado por diversas transformações e neste texto quero tratar sobre a impessoalidade que a internet pode causar nas pessoas. De fato, a cada dia que se passa somos prisioneiros da tecnologia. Nossos filhos já saem da barriga da mãe com um tablet, notebook/netbook e ipod na mão. Um grande exemplo disso é meu sobrinho de 8 anos que pediu de amigo oculto um tablet! E pensar que eu com 8 anos estava sonhando com uma bola de couro para brincar com meus amigos. Por isso e dentre outros interesses resolvi escrever este pequeno texto.

Cada geração tem seus objetos de consumo, mas acredito que este é um dos piores. Não conseguimos sair de casa sem o celular, passamos o dia inteiro pensando em olhar o email, não conseguimos ficar sem assistir televisão, não passamos muito tempo sem usar aquele aparelho que toca cerca 5 mil músicas e muito menos sem utilizar a internet. Com isso, é possível observar quanto somos dependentes da tecnologia. Porém, não podemos deixar de destacar como esse tipo de tecnologia pode nos auxiliar no dia-a-dia. A quantidade de informação que podemos receber e transmitir em um único dia é enorme e, temos que reconhecer que sendo utilizado da maneira correta é de grande importância. Um exemplo disso, foram as noticias do Japão ao vivo em tempo real sobre a explosão de um usina nuclear, ou até mesmo não esperar 1 mês para se chegar uma correspondência, mas pode ser enviada e recebida em segundos. As mídias sociais foram feitas para aproximar as pessoas que, por falta de tempo ou distância, são obrigadas a se relacionar pela internet e essa ferramenta por sua vez é executada de forma positiva.

Dessa forma, reconheço que a internet tem o seu papel de importância para nós pós-modernos, porém também entendo que as pessoas passaram a ser impessoais. Como a internet tem o poder de cobrir o rosto das pessoas, estas por sua vez podem fazer qualquer coisa que na vida real não teriam coragem de executar. Logo, os usuários da internet assumem um posicionamento de dupla personalidade, ora na vida real ora no irreal. Acredito que a consequência seja a falta da verdadeira identidade do individuo,ou seja, não somos o que realmente somos. Qual será nossa verdadeira identidade? Será que temos orgulho do que realmente somos? Acredito que não.

Portanto, estamos perdendo o sentimento, o respeito pelo próximo e o amor, que é uma das características que mais nos diferencia do mundo irracional. O que mais me incomoda é assumir que também estou inserido neste contexto e que a cada dia que passa vou me infectando por esse mal. Minha vontade é morar em um lugar sossegado, onde possa me desintoxicar e criar meus filhos em um ambiente saudável. Mas como viver em um mundo que é ditado pela tecnologia? Se não utiliza-la vou sendo rejeitado pela sociedade... Então minha única escolha é permanecer intoxicado e me direcionar para os centros de reabilitação (natureza) de tempos em tempos.

Quero ser internado o mais rápido possível!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pois nem terra, nem coração existem mais...



Acho que o universo tem conspirado para que eu escute sobre mineração, pois no último mês participei de um curso de três dias sobre biodiversidade em áreas de mineração e o desafio da sustentabilidade, depois na disciplina Introdução a Geodiversidade analisamos alguns casos de mineração e por fim, ontem fui a um seminário sobre os impactos da mineração na cidade de Congonhas. De fato, percebo que esse assunto está em voga na academia e nos principais meios de comunicação do país e por isso resolvi falar um pouco sobre a atividade.

O Brasil detêm um dos maiores patrimônios minerais e é um dos maiores produtores e exportadores de minério de ferro do mundo. Sua capacidade mineral se dá pelo fato da formação do continente Sul Americano (Principalmente o Brasil) ser privilegiado em ferro, bauxita (alumínio), manganês e nióbio. A produção mineral brasileira recebeu no ano de 2010 cerca de U$ 50 bilhões. De fato, o mundo está cada vez mais dependente de minerais, tanto para a indústria quanto para o ramo alimentício. Pesquisam apontam que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de municípios é na maioria das vezes influenciado pela atividade mineradora. Assim, observa-se como a mineração gera renda e “desenvolvimento” para uma determinada localidade. De fato, pesquisas apontam que esta atividade é altamente degradante para o meio ambiente, tanto no quesito perfuração, contaminação da água e atmosfera, diminuição da biodiversidade da região quanto no quesito transporte, indústria, desigualdade, poluição visual e etc. O que acontece é que nem mesmo o Brasil possui uma política eficiente que possa internalizar as externalidades. Para comparar, o Chile arrecada cerca de 8 a 10% de royalties da mineração, em contra partida o Brasil arrecada 1%. O pior é estarmos enriquecendo o capital estrangeiro e perdendo grande quantidade de capital natural.

Como pode-se verificar a atividade gera bilhões de reais para o país, porém é altamente degradante. Será mesmo que o dinheiro vale mais apena que manter reservas naturais? Será que existe substância que possa substitui-los? Ou será que devemos mudar nosso padrão de vida frear o consumo? Acredito é que se nada for feito, o Planeta não suportará mais e chegará o fim do período antropoceno. Devemos controlar  a demografia mundial e investir no que realmente interessa que é a vida ou entraremos em extinção... Mas como tudo no Planeta é um ciclo, se partimos da visão cientifica, voltaremos a existir daqui alguns milhões de anos. Então, vamos consumir?

O maior trem do mundo

O maior trem do mundo
Leva minha terra
para Alemanha
leva a minha terra
para o Canadá
leva a minha terra
para o Japão.
*
O maior trem do mundo puxado por cinco locomotivas à óleo diesel
engatadas geminadas desembestadas
leva o meu tempo, minha infância, minha vida
triturada em 163 vagões de minero e destruição.
O maior trem do mundo
transporta a coisa mínima do mundo
meu coração itabirano.
**
Lá vai o maior trem do mundo
Vai serpenteando, vai sumindo
E um dia, eu sei, não voltará
Pois nem terra, nem coração existem mais.

Carlos Drummond de Andrade, 1984

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vivendo e aprendendo



Há alguns dias tenho pensado na natureza, meio ambiente, biodiversidade, planeta Terra,mercado de trabalho, seres vivos e não vivos. De acordo com minhas leituras e reflexões sobre estes temas, meus pensamentos têm mudado a cada dia. A faculdade, trabalho, estudos e a vida, propriamente dita, me ensinam que nem tudo nessa vida é tão romantizado como pensava a alguns anos atrás. Esse texto tem como objetivo mostrar como a “vivência” pode modificar atitudes, pensamentos e maneira de enxergar a vida.

Quando pensei em estudar de verdade para o vestibular, me interessei bastante na área da Geografia, pois tinha um excelente professor que transformava a didática em verdadeira arte. Porém a geografia não vingou e as Ciências Socioambientais foi um tiro no escuro, na tentativa de buscar um profissional mais ativo no campo. O ingresso na faculdade foi uma das maiores transformações da minha vida, pois tudo que havia imaginado seria colocado em prática e iria estudar somente aquilo que mais me agradava. Mas de fato, a vida não segue a mesma ordem que imaginamos e descobri que tudo aquilo que eu havia construído na minha mente não foi seguido. A vida, o meio ambiente, as crenças, os seres, os poderes, os elementos, as filosofias, os pensamentos, a natureza e as ciências foram tomando certas formas e sendo consolidadas. Acho que minha ingenuidade e interpretação, que tem grande culpa o sistema de ensino brasileiro, me fez sofrer nos primeiros meses de faculdade. Pensamos que todas as coisas possuem suas caixinhas e seguem uma ordem lógica, mas a realidade é bem diferente do que pensamos. Todas as ciências se relacionam de forma muito mais complexa do que imaginamos e esse fato faz da vida uma das coisas mais espetaculares do universo.

Quando levei o impacto dos primeiros meses de faculdade, achei que havia aprendido tudo sobre a desconstrução do romantismo, porém quando vamos a campo e temos que colocar toda a teoria que aprendemos em prática, identificamos que as relações também são muito mais complexas do que imaginamos. Minha experiência no meu trabalho atual tem me mostrado que a implementação de um sistema de qualidade, que tem como base a educação ambiental, não é simplesmente coleta seletiva, economia de água, luz e poluição sonora, mas envolvem outros agentes que fazem desse processo muito mais complexo. Construir uma imagem ecológica para uma empresa e transformar seus agentes em sujeitos ambientalmente conscientes, que fazem parte de diversas classes sociais exige um grau de complexidade bem elevada. A burocracia, o capital cultural, a liberdade e os paradigmas dificultam ainda mais esse processo.

Portanto, concluo que a cada dia que se passa aprendemos um pouco mais sobre como as coisas funcionam nessa vida. A prática nos ensina muitas coisas, mas as teorias possuem um papel de grande importância na construção do pensamento humano. Dessa forma, se afirmarmos que somente a “vivência”  transforma o pensamento humano, devemos de fato viver para aprender.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobre felicidade, pobreza, crescimento e vontade de Deus



Quando voltei da minha lua de mel, logo me deparei com a realidade nua e crua composta de morte, trabalho, responsabilidades, desligamento de vínculos afetivos, crescimento e também muito amor. Sei que esses elementos fazem parte para o nosso crescimento, mas por que dói tanto? Por que a realidade é tão fria e sem sentimentos? Por que é importante crescer?

Para começar estava eu e minha esposa em Maceió/AL, lugar abençoado por Deus pelas belezas naturais e culturais. Foram os 6 dias mais felizes da minha vida, pois estava ao lado da pessoa que eu amo em um lugar paradisíaco.  Essa fusão de elementos fazem o lugar ficar dez vezes mais bonito do que já é... Também foi nossa primeira viagem sozinhos, também foi a primeira vez que andamos de avião, havia 7 anos que eu não chegava perto do mar e também nunca tinha comido tapioca. Foi a viagem mais inesquecível da minha vida, mas com o passar do tempo passei a ver o lugar com outros olhos. Percebi que as belezas naturais são quase artificiais, pois o que me pareceu é que apenas os turistas e as pessoas com poder aquisitivo podem usufruir dessa beleza. Nunca vi tanta pobreza na praia e nas ruas da cidade, não de casas e ruas em si, mas nas pessoas propriamente dito, nos olhares e gestos.

Nos despedimos de Maceió/AL e voltamos para Belo Horizonte com o intuito de realizar a mudança o mais breve possível, pois já estávamos com quase tudo em caixas e preparado para levar a casa nova. Porém, o choque de realidade logo bateu! Tivemos que instalar chuveiro, gás, lâmpadas, limpar a casa inteira, montar móveis, fazer compras e principalmente gastar muito dinheiro para ter um pouco mais de conforto. Em poucos dias voltamos a estudar e uma noticia me abalou completamente, onde eu descobri que um grande professor que eu tive a honra de assistir suas aulas por 1 ano inteiro faleceu em um acidente de carro. Essa perda foi muito sofrida e até hoje eu não paro de pensar nele nem por um segundo. Após essa perda lastimável, fiquei me questionando como a morte nos ronda todo o tempo... Ano passado um grande amigo meu morreu, alguns anos antes minha vó também vinha a falecer, o pai de um amigo meu morreu tem poucos dias e esses dados não param por ai. Quando eu era criança não me lembro de tanta morte assim, porém quando a gente cresce perece que esses fatos passam a se repetir cada vez com mais frequência. Pessoas dizem que esses fatos existem para a gente crescer e que fazem parte do nosso amadurecimento natural. 

Assim, chego a conclusão que crescimento é sofrimento. A lua de mel e toda felicidade que eu tive em Maceió é apenas a preparação para o sofrimento que eu teria que presenciar em Belo Horizonte. Acho que a vida oscila dessa forma, momentos alegres e logo em seguida momentos de tristeza para o "tal" crescimento natural. Será que sofrer é tão necessário assim? Será que crescer também é importante? Dessa forma pensamos que o não crescer pode ser a melhor saída... Porém, o crescimento quem dá é Deus e isso independe de nossa vontade.

Que Deus faça a sua vontade em nossas vida...

Fotos de Maceió:




sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cansei desse marasmo



Definitivamente me cansei do asfalto! Em toda a minha vida afirmei que a cidade era a melhor escolha para mim,  pois dentro dela eu tenho tudo que eu necessito. Porém, estou presenciado um desenvolvimento totalmente contra a natureza. No meu bairro, por exemplo, quase toda semana eu vejo os funcionários da CEMIG cortando árvores para melhorar a transmissão de energia, ou o prédio ao lado que cortou cerca de 4 árvores para transformar em bancos e isso também inclui o meu prédio que cortou 3 palmeiras de quase 30 anos por que as folhas eram pesadas e poderiam machucar alguém. Esses exemplos são os "menos" degradantes, pois não citei ainda as obras do Mineirão que derrubou quase por completo todas as árvores do estacionamento e também o viaduto que vai ligar a Antônio Carlos ao Mineirão e derrubou boa parte da mata da UFMG em troca de estacionamento para a universidade.

Diante dessa situação, percebo que eu não quero mais essa urbanização destruidora. Cansei de ver árvores sendo destruídas para maior conforto de nós urbanos. Não quero mais compactuar com essas destruições de causas banais. Se pararmos para pensar e analisarmos que as árvores tem um poder essencial para a manutenção da biodiversidade, tenho certeza que não derrubaríamos tanto para aumentarmos a urbanização. As árvores abrigam diversas especies de formigas, fungos, bactérias, pássaros, mamíferos, oferece sombra, equilibra de certa forma a temperatura de uma micro-região, libera oxigênio e ainda tem o poder de armazenar carbono. A partir disso, qual o sentido de acabar com as árvores? Se continuarmos assim, vamos diminuir toda essa biodiversidade e consequentemente piorar nossa qualidade de vida.

Portanto, quero fugir desse marasmo e ir para um lugar onde tenha tranquilidade, horta, cachorro, plantas, ar puro e principalmente árvores. Cansei dessa urbanização, cansei do estresse da cidade grande, cansei desse ar poluído, cansei desse apartamento, cansei do asfalto, cansei do concreto... Cansei daqui! Como diz Elis Regina: "Eu quero uma casa no campo, Onde eu possa ficar no tamanho da paz. [...] Eu quero o silêncio das línguas cansadas. [...] Eu quero plantar e colher com a mão, a pimenta e o sal [...] Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros, E nada mais.