Acho que o universo tem conspirado para que eu escute sobre mineração, pois no último mês participei de um curso de três dias sobre biodiversidade em áreas de mineração e o desafio da sustentabilidade, depois na disciplina Introdução a Geodiversidade analisamos alguns casos de mineração e por fim, ontem fui a um seminário sobre os impactos da mineração na cidade de Congonhas. De fato, percebo que esse assunto está em voga na academia e nos principais meios de comunicação do país e por isso resolvi falar um pouco sobre a atividade.
O Brasil detêm um dos maiores patrimônios minerais e é um dos maiores produtores e exportadores de minério de ferro do mundo. Sua capacidade mineral se dá pelo fato da formação do continente Sul Americano (Principalmente o Brasil) ser privilegiado em ferro, bauxita (alumínio), manganês e nióbio. A produção mineral brasileira recebeu no ano de 2010 cerca de U$ 50 bilhões. De fato, o mundo está cada vez mais dependente de minerais, tanto para a indústria quanto para o ramo alimentício. Pesquisam apontam que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de municípios é na maioria das vezes influenciado pela atividade mineradora. Assim, observa-se como a mineração gera renda e “desenvolvimento” para uma determinada localidade. De fato, pesquisas apontam que esta atividade é altamente degradante para o meio ambiente, tanto no quesito perfuração, contaminação da água e atmosfera, diminuição da biodiversidade da região quanto no quesito transporte, indústria, desigualdade, poluição visual e etc. O que acontece é que nem mesmo o Brasil possui uma política eficiente que possa internalizar as externalidades. Para comparar, o Chile arrecada cerca de 8 a 10% de royalties da mineração, em contra partida o Brasil arrecada 1%. O pior é estarmos enriquecendo o capital estrangeiro e perdendo grande quantidade de capital natural.
Como pode-se verificar a atividade gera bilhões de reais para o país, porém é altamente degradante. Será mesmo que o dinheiro vale mais apena que manter reservas naturais? Será que existe substância que possa substitui-los? Ou será que devemos mudar nosso padrão de vida frear o consumo? Acredito é que se nada for feito, o Planeta não suportará mais e chegará o fim do período antropoceno. Devemos controlar a demografia mundial e investir no que realmente interessa que é a vida ou entraremos em extinção... Mas como tudo no Planeta é um ciclo, se partimos da visão cientifica, voltaremos a existir daqui alguns milhões de anos. Então, vamos consumir?
O maior trem do mundo
O maior trem do mundo
Leva minha terra
para Alemanha
leva a minha terra
para o Canadá
leva a minha terra
para o Japão.
*
O maior trem do mundo puxado por cinco locomotivas à óleo diesel
O maior trem do mundo puxado por cinco locomotivas à óleo diesel
engatadas geminadas desembestadas
leva o meu tempo, minha infância, minha vida
triturada em 163 vagões de minero e destruição.
O maior trem do mundo
O maior trem do mundo
transporta a coisa mínima do mundo
meu coração itabirano.
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Lá vai o maior trem do mundo
Vai serpenteando, vai sumindo
E um dia, eu sei, não voltará
Pois nem terra, nem coração existem mais.
Carlos Drummond de Andrade, 1984

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