sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Pois nem terra, nem coração existem mais...



Acho que o universo tem conspirado para que eu escute sobre mineração, pois no último mês participei de um curso de três dias sobre biodiversidade em áreas de mineração e o desafio da sustentabilidade, depois na disciplina Introdução a Geodiversidade analisamos alguns casos de mineração e por fim, ontem fui a um seminário sobre os impactos da mineração na cidade de Congonhas. De fato, percebo que esse assunto está em voga na academia e nos principais meios de comunicação do país e por isso resolvi falar um pouco sobre a atividade.

O Brasil detêm um dos maiores patrimônios minerais e é um dos maiores produtores e exportadores de minério de ferro do mundo. Sua capacidade mineral se dá pelo fato da formação do continente Sul Americano (Principalmente o Brasil) ser privilegiado em ferro, bauxita (alumínio), manganês e nióbio. A produção mineral brasileira recebeu no ano de 2010 cerca de U$ 50 bilhões. De fato, o mundo está cada vez mais dependente de minerais, tanto para a indústria quanto para o ramo alimentício. Pesquisam apontam que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de municípios é na maioria das vezes influenciado pela atividade mineradora. Assim, observa-se como a mineração gera renda e “desenvolvimento” para uma determinada localidade. De fato, pesquisas apontam que esta atividade é altamente degradante para o meio ambiente, tanto no quesito perfuração, contaminação da água e atmosfera, diminuição da biodiversidade da região quanto no quesito transporte, indústria, desigualdade, poluição visual e etc. O que acontece é que nem mesmo o Brasil possui uma política eficiente que possa internalizar as externalidades. Para comparar, o Chile arrecada cerca de 8 a 10% de royalties da mineração, em contra partida o Brasil arrecada 1%. O pior é estarmos enriquecendo o capital estrangeiro e perdendo grande quantidade de capital natural.

Como pode-se verificar a atividade gera bilhões de reais para o país, porém é altamente degradante. Será mesmo que o dinheiro vale mais apena que manter reservas naturais? Será que existe substância que possa substitui-los? Ou será que devemos mudar nosso padrão de vida frear o consumo? Acredito é que se nada for feito, o Planeta não suportará mais e chegará o fim do período antropoceno. Devemos controlar  a demografia mundial e investir no que realmente interessa que é a vida ou entraremos em extinção... Mas como tudo no Planeta é um ciclo, se partimos da visão cientifica, voltaremos a existir daqui alguns milhões de anos. Então, vamos consumir?

O maior trem do mundo

O maior trem do mundo
Leva minha terra
para Alemanha
leva a minha terra
para o Canadá
leva a minha terra
para o Japão.
*
O maior trem do mundo puxado por cinco locomotivas à óleo diesel
engatadas geminadas desembestadas
leva o meu tempo, minha infância, minha vida
triturada em 163 vagões de minero e destruição.
O maior trem do mundo
transporta a coisa mínima do mundo
meu coração itabirano.
**
Lá vai o maior trem do mundo
Vai serpenteando, vai sumindo
E um dia, eu sei, não voltará
Pois nem terra, nem coração existem mais.

Carlos Drummond de Andrade, 1984

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vivendo e aprendendo



Há alguns dias tenho pensado na natureza, meio ambiente, biodiversidade, planeta Terra,mercado de trabalho, seres vivos e não vivos. De acordo com minhas leituras e reflexões sobre estes temas, meus pensamentos têm mudado a cada dia. A faculdade, trabalho, estudos e a vida, propriamente dita, me ensinam que nem tudo nessa vida é tão romantizado como pensava a alguns anos atrás. Esse texto tem como objetivo mostrar como a “vivência” pode modificar atitudes, pensamentos e maneira de enxergar a vida.

Quando pensei em estudar de verdade para o vestibular, me interessei bastante na área da Geografia, pois tinha um excelente professor que transformava a didática em verdadeira arte. Porém a geografia não vingou e as Ciências Socioambientais foi um tiro no escuro, na tentativa de buscar um profissional mais ativo no campo. O ingresso na faculdade foi uma das maiores transformações da minha vida, pois tudo que havia imaginado seria colocado em prática e iria estudar somente aquilo que mais me agradava. Mas de fato, a vida não segue a mesma ordem que imaginamos e descobri que tudo aquilo que eu havia construído na minha mente não foi seguido. A vida, o meio ambiente, as crenças, os seres, os poderes, os elementos, as filosofias, os pensamentos, a natureza e as ciências foram tomando certas formas e sendo consolidadas. Acho que minha ingenuidade e interpretação, que tem grande culpa o sistema de ensino brasileiro, me fez sofrer nos primeiros meses de faculdade. Pensamos que todas as coisas possuem suas caixinhas e seguem uma ordem lógica, mas a realidade é bem diferente do que pensamos. Todas as ciências se relacionam de forma muito mais complexa do que imaginamos e esse fato faz da vida uma das coisas mais espetaculares do universo.

Quando levei o impacto dos primeiros meses de faculdade, achei que havia aprendido tudo sobre a desconstrução do romantismo, porém quando vamos a campo e temos que colocar toda a teoria que aprendemos em prática, identificamos que as relações também são muito mais complexas do que imaginamos. Minha experiência no meu trabalho atual tem me mostrado que a implementação de um sistema de qualidade, que tem como base a educação ambiental, não é simplesmente coleta seletiva, economia de água, luz e poluição sonora, mas envolvem outros agentes que fazem desse processo muito mais complexo. Construir uma imagem ecológica para uma empresa e transformar seus agentes em sujeitos ambientalmente conscientes, que fazem parte de diversas classes sociais exige um grau de complexidade bem elevada. A burocracia, o capital cultural, a liberdade e os paradigmas dificultam ainda mais esse processo.

Portanto, concluo que a cada dia que se passa aprendemos um pouco mais sobre como as coisas funcionam nessa vida. A prática nos ensina muitas coisas, mas as teorias possuem um papel de grande importância na construção do pensamento humano. Dessa forma, se afirmarmos que somente a “vivência”  transforma o pensamento humano, devemos de fato viver para aprender.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobre felicidade, pobreza, crescimento e vontade de Deus



Quando voltei da minha lua de mel, logo me deparei com a realidade nua e crua composta de morte, trabalho, responsabilidades, desligamento de vínculos afetivos, crescimento e também muito amor. Sei que esses elementos fazem parte para o nosso crescimento, mas por que dói tanto? Por que a realidade é tão fria e sem sentimentos? Por que é importante crescer?

Para começar estava eu e minha esposa em Maceió/AL, lugar abençoado por Deus pelas belezas naturais e culturais. Foram os 6 dias mais felizes da minha vida, pois estava ao lado da pessoa que eu amo em um lugar paradisíaco.  Essa fusão de elementos fazem o lugar ficar dez vezes mais bonito do que já é... Também foi nossa primeira viagem sozinhos, também foi a primeira vez que andamos de avião, havia 7 anos que eu não chegava perto do mar e também nunca tinha comido tapioca. Foi a viagem mais inesquecível da minha vida, mas com o passar do tempo passei a ver o lugar com outros olhos. Percebi que as belezas naturais são quase artificiais, pois o que me pareceu é que apenas os turistas e as pessoas com poder aquisitivo podem usufruir dessa beleza. Nunca vi tanta pobreza na praia e nas ruas da cidade, não de casas e ruas em si, mas nas pessoas propriamente dito, nos olhares e gestos.

Nos despedimos de Maceió/AL e voltamos para Belo Horizonte com o intuito de realizar a mudança o mais breve possível, pois já estávamos com quase tudo em caixas e preparado para levar a casa nova. Porém, o choque de realidade logo bateu! Tivemos que instalar chuveiro, gás, lâmpadas, limpar a casa inteira, montar móveis, fazer compras e principalmente gastar muito dinheiro para ter um pouco mais de conforto. Em poucos dias voltamos a estudar e uma noticia me abalou completamente, onde eu descobri que um grande professor que eu tive a honra de assistir suas aulas por 1 ano inteiro faleceu em um acidente de carro. Essa perda foi muito sofrida e até hoje eu não paro de pensar nele nem por um segundo. Após essa perda lastimável, fiquei me questionando como a morte nos ronda todo o tempo... Ano passado um grande amigo meu morreu, alguns anos antes minha vó também vinha a falecer, o pai de um amigo meu morreu tem poucos dias e esses dados não param por ai. Quando eu era criança não me lembro de tanta morte assim, porém quando a gente cresce perece que esses fatos passam a se repetir cada vez com mais frequência. Pessoas dizem que esses fatos existem para a gente crescer e que fazem parte do nosso amadurecimento natural. 

Assim, chego a conclusão que crescimento é sofrimento. A lua de mel e toda felicidade que eu tive em Maceió é apenas a preparação para o sofrimento que eu teria que presenciar em Belo Horizonte. Acho que a vida oscila dessa forma, momentos alegres e logo em seguida momentos de tristeza para o "tal" crescimento natural. Será que sofrer é tão necessário assim? Será que crescer também é importante? Dessa forma pensamos que o não crescer pode ser a melhor saída... Porém, o crescimento quem dá é Deus e isso independe de nossa vontade.

Que Deus faça a sua vontade em nossas vida...

Fotos de Maceió:




sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cansei desse marasmo



Definitivamente me cansei do asfalto! Em toda a minha vida afirmei que a cidade era a melhor escolha para mim,  pois dentro dela eu tenho tudo que eu necessito. Porém, estou presenciado um desenvolvimento totalmente contra a natureza. No meu bairro, por exemplo, quase toda semana eu vejo os funcionários da CEMIG cortando árvores para melhorar a transmissão de energia, ou o prédio ao lado que cortou cerca de 4 árvores para transformar em bancos e isso também inclui o meu prédio que cortou 3 palmeiras de quase 30 anos por que as folhas eram pesadas e poderiam machucar alguém. Esses exemplos são os "menos" degradantes, pois não citei ainda as obras do Mineirão que derrubou quase por completo todas as árvores do estacionamento e também o viaduto que vai ligar a Antônio Carlos ao Mineirão e derrubou boa parte da mata da UFMG em troca de estacionamento para a universidade.

Diante dessa situação, percebo que eu não quero mais essa urbanização destruidora. Cansei de ver árvores sendo destruídas para maior conforto de nós urbanos. Não quero mais compactuar com essas destruições de causas banais. Se pararmos para pensar e analisarmos que as árvores tem um poder essencial para a manutenção da biodiversidade, tenho certeza que não derrubaríamos tanto para aumentarmos a urbanização. As árvores abrigam diversas especies de formigas, fungos, bactérias, pássaros, mamíferos, oferece sombra, equilibra de certa forma a temperatura de uma micro-região, libera oxigênio e ainda tem o poder de armazenar carbono. A partir disso, qual o sentido de acabar com as árvores? Se continuarmos assim, vamos diminuir toda essa biodiversidade e consequentemente piorar nossa qualidade de vida.

Portanto, quero fugir desse marasmo e ir para um lugar onde tenha tranquilidade, horta, cachorro, plantas, ar puro e principalmente árvores. Cansei dessa urbanização, cansei do estresse da cidade grande, cansei desse ar poluído, cansei desse apartamento, cansei do asfalto, cansei do concreto... Cansei daqui! Como diz Elis Regina: "Eu quero uma casa no campo, Onde eu possa ficar no tamanho da paz. [...] Eu quero o silêncio das línguas cansadas. [...] Eu quero plantar e colher com a mão, a pimenta e o sal [...] Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros, E nada mais.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Recordar é Viver!


Através de um incenso que mexeu com meu estado de espirito, essa música surgiu em minha mente de forma inexplicável...  Fiquei imaginando como o cheiro tem esse poder.
É possível lembrar de muita coisa apenas quando se sente um cheiro por um breve momento. As vezes consigo me lembrar de coisas da infância, como por exemplo, o cheiro do armário da minha madrinha quando eu tinha uns 5 anos, o cheiro de café sendo torrado na roça ou até mesmo o cheiro do cangote da minha avó. Me lembro do cheirinho do cobertor quando eu morava em Ouro Branco.... Que saudade!
Cheiro é uma coisa tão marcante...
Acho que esse momento também vai ficar marcado em minha memória, escutando Caetano Veloso com um maravilhoso incenso Indiano.
Recordar é viver!

Sampa

Caetano Veloso


Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

domingo, 26 de junho de 2011

Brasil vai defender sustentabilidade... Como assim?



O Brasil vai defender a fixação de metas globais para o desenvolvimento sustentável na Rio+20, a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o desenvolvimento sustentável. No encontro de chefes de Estado, que acontecerá no Rio de Janeiro, em maio e junho do ano que vem, o país vai propor um compromisso mundial para o cumprimento de um novo tipo de Metas do Milênio, só que ambientais.
As Metas do Milênio foram acordadas por todos os países-membros da ONU em 2000. Elas estabelecem oito objetivos a serem cumpridos até 2015 com o intuito de garantir melhores condições de vida à população global. Fazem parte das metas a erradicação da pobreza extrema, a promoção da igualdade entre os sexos e o combate à aids, por exemplo.
A proposta do Brasil é construir um novo pacto entre todos os chefes de Estado do mundo em 2012. Durante a Rio+20, diplomatas brasileiros vão negociar o estabelecimento de metas gerais de desenvolvimento sustentável que possam pautar políticas individuais relacionadas à geração de energia, hábitos de consumo e outros temas ligados à sustentabilidade.
A ideia desse novo pacto foi apresentada nesta terça-feira 21 pelo embaixador André Aranha Corrêa do Lago, negociador brasileiro nas discussões sobre mudanças climáticas, em uma reunião preparatória da Rio+20, realizada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, a iniciativa do acordo surgiu na Colômbia e será levada à frente pelo Brasil, que presidirá a conferência.
“Essa é uma ideia de que nós gostamos muito, que vamos apoiar”, afirmou Corrêa Lago. “Depois, nós vamos negociar e ver que tipos de metas de desenvolvimento sustentável nós podemos desenvolver e também se há um acordo em torno disso.”
O embaixador disse que alguns países, além do Brasil e da Colômbia, já discutem a criação das metas de desenvolvimento sustentável. Ele explicou também que essas metas seriam um compromisso político, igual para todos os países e não seriam usadas para punir quem não as cumpre, mas como incentivo à sustentabilidade. As metas também não substituiriam os acordos internacionais para redução de emissão de gases causadores de efeito estufa e de combate às mudanças climáticas.
O embaixador admite, no entanto, que a proposta pode não avançar durante a conferência no Rio de Janeiro. “Alguns países temem que isso [as metas] seja um peso a mais.” Na esperança de que a proposta do estabelecimento de metas ambientais seja aprovada, Lago ressaltou que compromissos assim fazem com que governo, iniciativa privada e população trabalhem juntos para o desenvolvimento de uma economia verde.
O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, que já foi negociador do Brasil nas conversas diplomáticas sobre mudanças climáticas, também acredita que não será uma tarefa simples estabelecer as metas de sustentabilidade. Ele, contudo, acredita que elas serão muito importantes para a definição de uma nova forma de desenvolvimento para o mundo. “Não é simples, nem fácil. Mas é possível”, disse. “Nós temos que ter metas globais, gerais, que deem uma direção à economia verde.”

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/carta-verde/brasil-quer-incluir-desenvolvimento-sustentavel-nas-metas-do-milenio


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O que não da para entender é como um país que aprova um código florestal totalmente contra a natureza, libera a permanência do canteiro de obras em Belo Monte que não existe em lei, logo após autoriza a construção da hidrelétrica com inúmeras irregularidades e ainda vêm com esse papo de defender a sustentabilidade? Dá para entender?
O dinheiro move o mundo...