No último final de semana foi uma mistura de ação social, diversão, cansaço e negação. No sábado a correria começou logo pela manhã, doação de sangue, depois almoço, mais tarde um cineminha com um pouquinho de gripe e para fechar com chave de ouro, programação de casais incrementado com febre, dor no corpo, fome, cansaço, falta de paciência, vontade de tomar banho e dormir. O Domingo foi dia de serviço junto aos diáconos, que por falta de sorte foi encerrado com dor de estomago e de barriga. Será que foi falta de sorte?
Conforme havia combinado com minha noiva, fui realizar uma das mais belas ações que o ser humano pode exercer, doar uma parte do meu sangue para pessoas que carecem da mesma substância. Levantei bem cedinho já mal humorado, pois havia ficado acordado até 02:00 da manhã vendo um filme de Quentin Tarantino. Quem já viu os filmes desse diretor, sabe muito bem que eles prendem a atenção e agüentamos até a última energia ser esgotada. Pois bem, saí e fui direto para o Hemocentro achando que seria atendido o mais rápido possível. Pobre ilusão, fiquei quase 3 horas para passar por todo o processo de triagem e finalmente doar o liquido milagroso. Ufa! Saí de lá feliz e nervoso ao mesmo tempo. Encontrei com minha noiva e planejamos almoçar e pegar um cineminha. Parecia que o plano seria executado da mais bela forma possível, porém um vírus ou sabe-se lá o que era, me pegou de jeito! No cinema, não conseguia encontrar uma posição confortável. O filme, magicamente tornou-se uma tortura de ser assistido. Permaneci até o término (literalmente). Saindo de lá, fomos para o encontro de casais... Acho que foi às duas horas mais longas que eu tive na minha vida! Não conseguia prestar atenção em nada e os sintomas começaram à aparecer mais nitidamente. Corpo dolorido, olhos ardendo, dor de cabeça, garganta seca e um frio insuportável. Foi uma provação daquelas! Cheguei na casa da minha noiva quase morto de tanto sofrimento... A noite, comecei a refletir sobre minha vida, minha existência, meus amigos, familiares, casamento e principalmente minha noiva. Ao som de uma música que falava sobre solidão, elevei minha mente e coração a Deus, me senti confortável com sua presença e por todo cuidado. E isso não ocorria fazia um bom tempo.
Mas minha saga não termina no sábado, pois o domingo foi o dia de pura labuta. Sou introdutor (Quase diácono) da igreja, ou seja, recepciono todos na entrada, sirvo lanche para a criançada, organizo a igreja antes da escola bíblica dominical e também antes do culto. Para vocês terem uma idéia, são dois turnos que juntos somam 7 horas de serviço. Como eu sabia que não teria ninguém para me substituir, levantei bem cedo e fui para o trabalho... Mas apesar de todo cansaço, faço isso com muita alegria no coração, pois o trabalho é para honra e glória ao nosso Deus todo poderoso. Como ontem estava bem frio e estamos no mês de aniversário da igreja, foi servido caldo de feijão e de mandioca para todos os membros. Estava tão bom, que eu comi cerca de umas 3 tijelas de caldo... Acabou o serviço e fui para casa dormir. Acordei hoje com dor no estômago e uma dor de barriga terrível.
Assim, cheguei à conclusão que apesar das dificuldades temos que trabalhar com força de vontade, principalmente se for para obra de Deus. Reclamei diversas vezes que estava mal e que não daria conta de fazer nada... Porém persisti e fui até o final! E nessa loucura de doença e correria, no sábado à noite pensei bastante em Deus, nos meus familiares, nos meus amigos, no meu casamento que já está bem pertinho e principalmente na minha noiva. Nessas reflexões, me perguntei se pensamos em Deus somente em situações de sofrimento. Será que nos lembramos Dele somente no desespero? Será que agradecemos todos os dias por tudo que recebemos Dele? Somos todos egoístas? Será que apenas uma gripe poderia negar todo o sofrimento de Jesus na cruz? Será que fazemos tudo que Ele gostaria que fizéssemos? Será que estamos fazendo da maneira correta? Será que tudo que aconteceu comigo foi falta de sorte ou foi para refletir em minha vida e voltar os meus olhos para Deus?
De fato, nada disso foi por acaso...

Já pensei nisso diversas vezes também e cheguei à conclusão de que todas as nossas dificuldades, sem excessão, servem para nosso crescimento e glorificação de Deus. A diferença está na atitude de nossos corações... Podemos aprender ou não com as aflições, podemos nos aproximar mais de Deus ou não, podemos sentir o cuidado dele ou não. Temos que tomar o cuidado de buscar a Deus em todo o tempo, mas acredito que quando passamos por problemas conseguimos SENTIR o cuidado de Deus muito mais de perto. Deixo as palavras do apóstolo Paulo para complementar o que quero dizer: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte." 2 corintios 12:10 - Paulo não era um masoquista louco, pelo contrário, ele verdadeiramente aprendeu a confiar em Deus e sentir o seu cuidado nos momentos de angústia. Bom texto! Ótimo para reflexões... food for thought!
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